— Hoje à noite, eu vou fazer a Capital inteira saber que você, Beatriz, está sob a minha proteção.
A voz dele foi baixa, mas carregada de uma força que não aceitava contestação.
O coração de Beatriz falhou uma batida, sem motivo aparente.
O coquetel aconteceu no hotel sete estrelas mais luxuoso da Capital.
Quem entrava ali ou era rico, ou era poderoso.
No instante em que Beatriz entrou no salão, de braço dado com Guilherme, quase todos os olhares se voltaram para os dois.
Deslumbramento, curiosidade, avaliação…
Guilherme agiu como se nada existisse. Conduziu-a com calma até um canto mais reservado.
Pegou um copo de suco para ela.
— Não fique nervosa. Basta ficar ao meu lado.
Ele a tranquilizou em voz baixa.
— Você não precisa socializar com ninguém. Hoje, você veio principalmente para relaxar.
Beatriz assentiu.
Sinceramente, ela detestava ambientes assim.
Mas a consideração de Guilherme afrouxou um pouco os nervos que ela mantinha esticados há dias.
Logo Guilherme encontrou conhecidos e foi puxado para conversar.
Beatriz ficou sozinha no canto, bebendo o suco em silêncio.
— Irmã?
Uma voz surpresa e feliz veio de não muito longe.
Beatriz se virou e viu Larissa, num vestido rosa de princesa, olhando para ela com entusiasmo.
Ao lado de Larissa, estava Lucas.
O olhar de Beatriz ficou imediatamente frio.
Até aqui… eles não a largavam.
Larissa levantou a saia e veio depressa, com um sorriso inocente, impecável.
Então, como se apenas naquele instante notasse a roupa e a produção de Beatriz, examinou-a de cima a baixo com exagero.
— Uau, irmã, você está tão linda hoje! Esse vestido deve ser caríssimo, não é?
Ela falou com intenção clara, num volume suficiente para que os outros ao redor ouvissem.
— Você acabou de ser demitida do Rivelan… de onde saiu dinheiro para um vestido tão caro?
— Não me diga que… para entrar num coquetel desses e conhecer algum rico, você fez questão de alugar uma roupa assim?
A maldade foi direta, venenosa.
De imediato, surgiram cochichos.
Os olhares lançados a Beatriz ganharam desprezo e desdém.
O rosto de Heitor também escureceu.
Para ele, Beatriz era exatamente esse tipo de mulher: disposta a qualquer coisa para subir.
Ele a encarou com frieza, a voz cheia de repulsa.
— Beatriz, você não tem vergonha? Um lugar desses é para você?

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