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No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico romance Capítulo 58

— Parece que a Srta. Beatriz está mesmo exausta.

Aproveitando o ensejo, ele pousou a mão no ombro de Beatriz, com uma intimidade ambígua.

— Eu reservei uma suíte presidencial no andar de cima. Deixem que eu a leve para descansar.

Matheus entendeu na hora e sorriu com servilismo.

— Então… ficamos no encargo do Sr. Henrique.

Naquele instante, a consciência de Beatriz afundou por completo na escuridão.

Como uma boneca sem vontade, ela foi levada para fora da sala, meio carregada, meio amparada, por Henrique e seguranças.

Antes de apagar totalmente, ela ainda ouviu a frase de Larissa, como um sussurro demoníaco:

— Irmã, felicidades no seu casamento.

Não se sabia quanto tempo havia passado.

Beatriz acordou com um frio cortante.

O ar-condicionado da suíte estava muito baixo.

Ela abriu os olhos com esforço e viu que estava deitada numa cama absurda de tão grande e macia.

A cabeça latejava.

O corpo ainda estava mole, sem força.

Onde era aquilo?

As lembranças voltaram, como contas soltas que se reatavam num fio.

O jantar… o suco… o rosto falso de Larissa…

E os olhos de Henrique, cheios de desejo, repulsivos.

Beatriz estremeceu e despertou de vez.

Sentou-se de súbito e olhou ao redor.

Era uma suíte presidencial dourada, ostentosa.

Do banheiro vinha o som forte do chuveiro e a voz oleosa de um homem, cantarolando.

Henrique.

Ela precisava fugir.

Beatriz mordeu a própria língua até sentir o gosto de sangue; a dor clareou um pouco o torpor.

Ela se arrastou para fora da cama e caiu no tapete com um baque abafado.

Ignorando a dor aguda no joelho, engatinhou em direção à porta.

Mais rápido.

Ela cambaleou até lá e percebeu: era uma porta de ligação de emergência.

Um acesso pensado para suítes de alto padrão, conectando ao quarto ao lado.

A esperança acendeu de novo.

Com toda a força, ela girou a trava.

Uma vez, duas…

As unhas quebraram com o esforço; sangue manchou o metal frio da maçaneta.

“Clique.”

Um som leve.

Um segundo antes de Henrique abrir a porta do banheiro.

A fechadura cedeu.

Beatriz não pensou. Puxou a porta, entrou rolando e se arrastando.

Em seguida, sem forças, desabou no chão.

Na visão turva, ela só viu um par de sapatos sociais pretos, artesanais, brilhando de tão bem polidos, pararem diante dela.

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