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No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico romance Capítulo 56

— Tragam-no para me ver. Caso contrário, eu bato com a cabeça aqui até morrer. Não vai ser bom para ninguém.

Aquela calma morta, paradoxalmente, fez o coração dos empregados do lado de fora falhar por um instante.

Não demorou, e a fechadura girou.

Matheus entrou, empurrando a porta, e atrás dele veio Miguel, com o rosto marcado pela impaciência.

Ele já sabia.

Nem o osso mais duro resistia à fome e ao desespero.

— Já caiu em si? — perguntou ele, de cima para baixo, como quem avaliava um objeto enfim domado.

Beatriz levantou a cabeça devagar.

O olhar dela estava opaco, como se uma camada espessa de cinza o cobrisse.

— Eu aceito casar.

Ela disse.

— Mas eu tenho uma condição.

Miguel soltou uma risada de desprezo.

— Você ainda acha que tem direito de impor condição?

Beatriz sorriu de leve e o fitou.

— Eu posso me sacrificar pela família Andrade. O casamento, a cerimônia, façam como quiserem.

— Mas, a partir de hoje, nenhum de vocês vai interferir na minha pesquisa, nem na minha vida.

— Quero que vocês jurem, diante do espírito da minha mãe.

A voz dela era baixa, mas carregava uma determinação de quem preferia arder junto a tudo do que ceder sem limites.

Aos ouvidos dos irmãos da família Andrade, aquilo soou como rendição e concessão completa.

Uma mulher encurralada pela família, sem saída, pedindo apenas para preservar o último fiapo — miserável e irrelevante — de ambição profissional.

Que razoável.

Que risível e triste.

O canto da boca de Matheus ergueu-se num sorriso de vencedor.

— Está bem. Eu aceito.

Ele nem se deu ao trabalho de fazer o juramento hipócrita.

— Desde que você se case direitinho com o Sr. Henrique, depois você faz o que quiser. Nós não vamos interferir.

Ele lançou um olhar para Miguel.

Depois de um tempo, ele assentiu, satisfeito.

— A Srta. Beatriz finalmente decidiu?

Ele ainda encenou, dirigindo-se a Matheus:

— Sr. Matheus, fique tranquilo. Eu não sou um bruto sem sensibilidade.

— Quando Beatriz vier para a minha casa, eu vou tratá-la bem.

Ele pronunciou o nome com intimidade e doçura, e Beatriz sentiu uma náusea física.

Matheus abriu um sorriso, ergueu a taça.

— Naturalmente! Ser apreciada pelo Sr. Henrique é uma bênção para a Beatriz!

— Vamos, Sr. Henrique, um brinde!

Miguel acompanhou, apressado:

— Sr. Henrique, daqui em diante seremos uma família. Contamos com a sua orientação!

Por um momento, a sala se encheu de brindes, elogios servís e risadas calculadas.

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