— Salvou você? Ha! — Miguel pareceu ouvir a maior piada do mundo. — E por que ninguém salva a mim? Por que alguém ia salvar você? Só pode ser porque você tem essa cara de sedutora!
Matheus soltou um riso curto; a repulsa em seus olhos quase transbordou.
— Chega, Beatriz. Pare de inventar essas mentiras ridículas.
— Que tipo de pessoa você é, a gente sabe muito bem. Pra subir na vida, você faz qualquer coisa. Até fraude acadêmica você teve coragem de fazer. O que mais você não seria capaz de fazer?
Mentiras...
Qualquer coisa...
Beatriz encarou aqueles dois parentes de sangue e sentiu apenas o absurdo e a tristeza.
Na cabeça deles, ela era exatamente aquilo.
Eles não acreditariam em uma palavra sequer.
Nesse momento, a voz “compreensiva” de Larissa voltou a se erguer.
Ela soltou Beatriz e foi até os dois irmãos, como se estivesse prestes a chorar.
— Mano... Miguel... não falem assim com a minha irmã...
— A irmã... deve ter algum motivo...
— Ela não tem ninguém... deve estar sofrendo... nós somos família, temos que entender mais...
Dizendo isso, virou-se e veio, fingindo querer apoiar Beatriz.
— Irmã, não fica brava com eles. Eles só estão preocupados... vem, senta um pouco no sofá, eu te ajudo...
A mão com esmalte rosa voltou a se estender para o braço dela.
Diante daquele rosto falso, daquele perfume doce e enjoativo, o estômago de Beatriz se revolveu ainda mais.
No instante em que Larissa quase a tocou, Beatriz recuou como se tivesse sido mordida por uma cobra e, com força, afastou a mão dela.
— Não encoste em mim!
A frase saiu quase arrancada do fundo do corpo, como se consumisse o que restava de energia.
— Irmã... por que... por que você me empurrou...
— Eu sei que você não gosta de mim... mas eu só queria me preocupar com você... como você pôde...
Ela chorou com desespero, sem ar, como se fosse desmaiar a qualquer instante.
Os rostos de Matheus e Miguel mudaram na mesma hora.
— Larissa!
Miguel foi o primeiro a correr. Puxou Larissa para os braços e, ao ver o sangue que não parava de escorrer, os olhos dele ficaram vermelhos.
Ele ergueu a cabeça de repente, como uma fera enfurecida, e cravou o olhar em Beatriz.
— Beatriz! Sua desgraçada! Você quer morrer?!
Matheus também avançou. Tirou um lenço do bolso e pressionou o ferimento com cuidado; o rosto ficou tão sombrio que parecia pingar.
— Beatriz! Você enlouqueceu!

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