Mas o avô de Camila era muito influente. Todos os dias ele chegava na préescola com o carro do homem mais rico da cidade. Será que esse homem era mais forte que a mamãe e o tio Sebastião? Se eu contar isso, será que vou arrumar problema para a mamãe?
Melhor não. Era melhor não contar para a mamãe por enquanto.
Se Camila não gostava dela, ela apenas ficaria longe de Camila, assim como fazia nas montanhas.
Alice não fazia ideia de que a pequena estava pensando em tantas coisas e continuava aguardando a resposta de Pérola.
Pérola olhou para Alice, assentiu e, com os olhos ainda brilhando, disse:
— Fiquei feliz.
Ao ver que Pérola estava se adaptando bem à pré-escola, Alice finalmente relaxou.
Desde que Pérola estivesse feliz, estava tudo bem. Tudo o que ela fazia era para que a criança se recuperasse física e psicologicamente.
Após o jantar, Zelinda ficou brincando com Pérola na sala.
Alice foi sozinha para o escritório e, de repente, lembrou-se da ligação de Sebastião que havia recusado à tarde. Após pensar um pouco, decidiu retornar a chamada.
Ela parou diante da janela do escritório, olhando habitualmente para a paisagem lá fora.
Naquele momento, o conhecido carro preto se aproximava. Muitas vezes ele sem querer a tirava dos seus pensamentos.
Na verdade, o que ela realmente conhecia não era o formato do carro, mas sim os faróis dele.
Porque toda vez que aquele carro passava por ali, a luz dos faróis cruzava a sua janela.
E sempre que ela ia até a janela para olhar, o carro já havia passado.
Por isso, ela nunca tinha visto o carro inteiro com clareza, nem sequer conseguido ler a placa.
Justo quando Alice pensava em aproveitar a oportunidade para ver o carro direito desta vez...
O veículo parou em frente ao portão de sua casa. E, logo em seguida, a voz de Sebastião soou no alto-falante do celular encostado em seu ouvido.
— Alice Almeida, o que você quer? — A voz do homem soou indiferente, como se estivesse extremamente relutante em atender a ligação dela.

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