No fim, ela acabou pegando uma carona com um funcionário administrativo do instituto que morava mais ou menos no mesmo caminho, e assim conseguiu chegar em casa com tranquilidade.
Desde o divórcio com Jorge, ela não havia voltado a dirigir. O carro que usava antes estava no nome dele, e quando ela saiu daquela casa, deixou o veículo para trás.
Depois disso, como vivia sozinha, a necessidade de um carro não era tão grande. Para viagens de negócios ou compromissos externos, o instituto fornecia um veículo. Por isso, ela nunca teve pressa em comprar um carro.
Mas agora ela sentia que precisava comprar um o mais rápido possível. Primeiro, para facilitar seu trajeto diário para o trabalho. Segundo, porque Zelinda precisava levar e buscar Pérola todos os dias, e ter um carro tornaria tudo mais prático.
Com isso em mente, ela decidiu que iria olhar alguns carros no fim de semana, quando estivesse de folga.
Assim que Alice chegou em casa, uma pequena figura correu na sua direção a toda velocidade e pulou direto nos seus braços.
Naquele momento, todo o cansaço do dia pareceu desaparecer.
Alice abriu um sorriso gentil, ergueu Pérola nos braços e deu um beijo estalado na bochecha da menina.
— Pérola, veio receber a mamãe?
A sensação de ser recebida por um ente querido era, na verdade, muito reconfortante.
O rostinho de Pérola ficou vermelho. Sendo beijada de repente, ela sentiu um pouco de vergonha.
Zelinda também saiu sorrindo naquele momento e entregou os chinelos para Alice.
— Pérola, mostre logo para a mamãe.
Enquanto trocava os sapatos, Alice olhou para a pequena.
— O que você quer me mostrar?
Sob o olhar atento das duas adultas, a garotinha abriu timidamente a mãozinha, revelando uma pequena florzinha vermelha em sua palma.
— Uma florzinha vermelha? — Alice pensou que fosse algum trabalho manual que Pérola havia aprendido a fazer na pré-escola.
— Isso mesmo, hoje a Pérola se comportou muito bem. Na aula ao ar livre, ela até tirou o primeiro lugar na corrida, então a professora a recompensou com uma florzinha vermelha. — Zelinda explicou com um sorriso, e o olhar que lançava à pequena brilhava, com uma expressão de imenso orgulho.
Como se a criança não tivesse ganhado só uma florzinha vermelha, mas sim o maior prêmio do mundo.
— É mesmo?! — Alice olhou para Pérola com uma expressão exagerada e deu mais um beijo na bochecha da garotinha. — A minha Pérola é tão incrível! No primeiro dia de aula, já ganhou uma florzinha vermelha! Que maravilha!
Na verdade, Alice não ficou muito surpresa com o fato de Pérola ter chegado em primeiro lugar na corrida.


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