Não era de se admirar que ela tivesse achado o carro de Sebastião familiar logo no primeiro olhar.
Então era isso!
No portão, Sebastião olhava na direção do segundo andar. Como Alice não respondia no telefone, ele franziu levemente a testa.
— Alice Almeida, fale alguma coisa.
Essa mulher estava agindo de forma estranha esta noite.
À tarde, ela havia recusado a ligação dele, e agora ligava por conta própria, mas não dizia nada.
O que ela queria?
No escritório do segundo andar, a voz de Sebastião soou novamente no telefone.
Alice voltou a si de sobressalto.
— Você... me espera um pouco, vou descer para falar com você.
Ela desligou o telefone, pegou um casaco, vestiu-o e saiu do escritório.
Sebastião só endireitou a cabeça e desviou o olhar quando a silhueta graciosa desapareceu da janela do segundo andar.
Daniel Duarte, com muito tato, permaneceu sentado no carro e não desceu. Mas, incapaz de resistir à fofoca interna, abaixou um pouco o vidro do lado do motorista em segredo.
O patrão era mesmo difícil. Como Alice havia recusado sua ligação à tarde, ele passou o resto do dia com o rosto tenso.
Durante toda a tarde, aqueles olhos não pararam de checar o celular, sabe-se lá quantas vezes.
Os outros podiam não saber, mas ele sabia: o patrão estava esperando Alice retornar a ligação.
O resultado foi que ele esperou o sol se pôr, a noite cair, o jantar terminar, e a ligação da Srta. Almeida não veio.
Ainda agora, no caminho de volta, o patrão não soltou o celular da mão em nenhum momento.
E quando finalmente a ligação da Srta. Almeida chegou, o que o patrão fez? Ficou encarando o celular com a testa franzida, demorando a atender.
Ele agia como uma criança mimada, tentando fazer os outros agirem do jeito que ele queria. Daniel achou aquilo extremamente infantil.
Quando atendeu, ainda fez pose, fingindo que não queria dar atenção à Srta. Almeida.
Mas bastou a Srta. Almeida perguntar onde ele estava para ele descer do carro todo apressado.

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