Sobre as ruínas desoladas, o choro de Gabriela ecoava pelas montanhas.
O choro da criança ficava cada vez mais alto, como se expressasse a saudade, e também como se desabafasse toda a injustiça sofrida.
As lágrimas, grandes como grãos de feijão, atingiram o coração de Alice Almeida em um instante. Uma dor surda e intensa a impedia de respirar normalmente.
Finalmente ela não aguentou mais e puxou Gabriela para um abraço apertado.
— Eu estou aqui... eu voltei... — A garganta de Alice Almeida doía muito, como se algo áspero estivesse preso nela, dificultando que ela falasse.
Nas mãozinhas de Gabriela, ela ainda segurava a roupa que estava lavando antes. Com o abraço de Alice Almeida, a roupa em suas mãos também foi puxada.
Era uma roupa de adulto, encharcada, que ainda exalava o cheiro de Sabão velho.
A cabecinha de Gabriela estava aninhada no pescoço de Alice Almeida, talvez por ter sentido, neste exato momento, o calor real do abraço dela.
O choro da pequena ficou ainda mais alto, chegando a soluçar espasmodicamente:
— Dona Alice... eu tenho medo... eu estou com medo...
Esse grito de medo da criança cravou-se como uma lâmina afiada diretamente no coração de Alice Almeida.
Ela engoliu em seco, reprimindo à força aquela sensação de estar sendo cortada.
— Não tenha medo! A Dona Alice está aqui, de agora em diante, ninguém mais vai poder te maltratar.
Dizendo isso, Alice Almeida apertou o abraço e ergueu a criança nos braços.
Sentindo que suas costas já estavam encharcadas, ela percebeu que Gabriela ainda segurava a roupa que estava lavando.
Ela pegou a roupa das mãos da criança e a observou com um olhar gélido.
Era um casaco de adulto; pelo estilo e comprimento, não parecia ser de Dona Benedita, mas sim da filha de Dona Benedita.
Olhando para a bacia de lavar roupas, que era grande o suficiente para caber a pequena Gabriela inteira dentro, havia roupas de todos os tipos.

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