O Inspetor Rocha foi na frente, pedindo para Alice segui-lo.
Antes de se aproximar do homem, ele observou o ambiente ao redor. Após confirmar que era seguro, levou Alice até ele.
Assim que se aproximou, ele mostrou diretamente o seu distintivo policial para o homem.
O homem tinha o rosto afundado. Quando viu o distintivo, ele se surpreendeu, como se não esperasse que Alice realmente tivesse trazido a polícia.
Mas ele logo abriu um sorriso.
— Inspetor, eu sou um bom cidadão, nunca infringi a lei. Pedi para a senhorita Alice vir até aqui porque eu realmente tenho dificuldade de locomoção.
O Inspetor Rocha olhou para a perna amputada do homem e perguntou:
— Você disse que conhece o Sarnento?
Alice deu um passo à frente, olhando fixamente para o homem, sem querer perder sequer a menor expressão em seu rosto.
O homem assentiu.
— Conheço, eu tinha um vizinho que se chamava Sarnento.
O Inspetor Rocha então tirou o retrato falado de Sarnento e o colocou diante do homem.
— Dê uma olhada, é essa pessoa aqui?
O homem analisou com cuidado, depois franziu a testa e apontou para o lado esquerdo do próprio rosto.
— Bem... o formato do rosto até parece um pouco, mas essa pinta... o Sarnento que eu conheço tinha uma pinta no rosto, mas era embaixo do olho, perto do nariz, não no canto da boca. E também não era do lado direito, eu lembro que era do esquerdo.
O Inspetor Rocha franziu a testa e sua voz ficou mais severa.
— Olhe com mais atenção!
— Eu já olhei! Já olhei com bastante atenção! — O homem também pareceu um pouco ansioso. — Só o formato do rosto é um pouco parecido. O Sarnento tinha cara de cavalo. Os olhos dele não eram pequenos, e o cabelo... acho que ele não era tão careca assim. Esse desenho... não está exato...
— E o que você está dizendo é exato? — O Inspetor Rocha perguntou.
Na verdade, tanto ele quanto Alice sabiam que aquele retrato falado não era preciso. Afinal, muito tempo havia se passado e a memória da família da Prima Célia já estava confusa. Quando fizeram o retrato, as descrições dos três membros da família não batiam.
Aquele desenho era uma combinação das descrições de cada um deles.
— Eu... — Diante do questionamento do Inspetor Rocha, o homem também hesitou. — Já faz anos que não o vejo, o que eu estou dizendo também pode não ser exato.
Isso significava que não havia garantia de que o Sarnento de quem o homem falava era o Sarnento que eles procuravam.
Afinal, Sarnento era só um apelido. Qualquer pessoa poderia ter esse apelido.
— Tudo bem, então nos conte o que você sabe. — O Inspetor Rocha pediu que o homem continuasse.
O homem olhou para Alice.

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