— Vou pagar... — Alice forçou-se a manter o ânimo. — Você prefere transferência ou dinheiro vivo?
— Transferência. — O homem pegou o celular e abriu o código QR para recebimento.
Alice transferiu o dinheiro, mas seu coração estava incrivelmente pesado.
O homem percebeu o abatimento de Alice e perguntou:
— Você não está procurando o Sarnento, está procurando uma criança, não é?
Alice assentiu.
A expressão do homem tornou-se complexa.
— Bom... eu realmente não ouvi voz de criança, mas também pode ser que o Sarnento que eu conheci não seja o Sarnento que você está procurando. Tem muita gente chamada Sarnento por aí. Pelo que vi, o retrato que vocês me mostraram não se parece com o Sarnento da minha memória.
O homem tentou consolar Alice, mas logo acrescentou:
— Mas, sendo ele ou não, eu não posso devolver o dinheiro.
Alice forçou um sorriso e acenou para o homem.
— Sim, não se preocupe, o dinheiro foi dado a você, é seu.
No caminho de volta, o clima dentro do carro estava pesado.
O Inspetor Rocha observava Alice pelo canto do olho. Ele pigarreou e disse:
— Eu acho que esse Sarnento não é o que estamos procurando. Então, você não precisa se preocupar. Vamos continuar nos esforçando em todas as frentes, com certeza vamos encontrá-lo.
Alice olhou para a paisagem passando rapidamente pela janela, abriu o vidro, respirou fundo e exalou a angústia que apertava seu peito.
— Tem razão! Ainda não temos certeza, então não posso me deixar abater. E mesmo que seja ele, não importa. Isso só provaria que o Sarnento morreu, mas a minha filha com certeza ainda está viva. Não importa quanto tempo leve, eu vou encontrá-la.
Vendo que Alice havia recuperado o ânimo, o Inspetor Rocha assentiu.
O maior medo é quando a pessoa perde a força de vontade; uma vez sem esse pilar, a pessoa desmorona.
Na segunda-feira, Alice foi trabalhar normalmente.

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