Vendo que a faxineira magricela não se mexia, Dona Sônia fechou a cara e deu alguns passos em sua direção.
— Escuta aqui, o que você está fazendo aí parada? Entre logo e vá trabalhar, limpe a sala primeiro e depois...
Assim que se aproximou de Yara, Dona Sônia sentiu um cheiro forte e fétido, e imediatamente tapou o nariz.
— O que há com você? Você cheira como algo apodrecido! Não, você não pode entrar na minha casa. Dê o fora daqui imediatamente!
Diante da humilhação pública e impiedosa de Dona Sônia, o rosto de Yara queimou e seu queixo começou a tremer.
Desde que saíra da prisão até aquele exato momento, ela vinha sofrendo humilhações que pareciam uma tortura psicológica a cada minuto.
Essa humilhação atingiu o ápice naquele instante, e ela não conseguiu mais suportar, explodindo:
— Sônia Saraiva, quem você pensa que é para mandar eu dar o fora?! Você que dê o fora! Toda a sua família dê o fora! Saiam daqui!
Yara parecia ter enlouquecido, quebrando tudo o que aparecia à sua frente. Ela chorava descontroladamente, sem manter nenhuma compostura.
— Yara Inácio, o que você está fazendo?! — Henrique rugiu mais uma vez.
O motivo de ter trazido Yara para ali foi justamente para preservar a dignidade da família Cavalcanti.
Mas ele não esperava que, ao evitar os empregados da antiga mansão, acabaria não conseguindo evitar a família Saraiva.
E, para piorar, não estava apenas a família Saraiva ali, mas também aquelas pessoas irrelevantes trazidas por eles.
Dona Sônia e Bernardo ficaram atônitos ao ouvirem o nome Yara Inácio sair da boca de Henrique.
Especialmente Dona Sônia, que, ainda segurando o nariz, olhou incrédula para a louca à sua frente.
— Você... você é a consogra?
Com o fim do grito de Henrique, a sala mergulhou em um silêncio opressivo.
Yara ainda segurava um vaso nas mãos, que caiu no chão junto com o berro de Henrique.
Ela olhou perplexa para os olhares que todos na sala lhe lançavam; havia choque, estupor, nojo e repulsa. Aqueles estranhos, em especial, olhavam para ela como se vissem uma louca.
Ela, Yara Inácio, a Professora Yara, um dia seria tratada como uma louca.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!