Jorge não respondeu às perguntas de Dona Sônia e Bernardo. Ele apenas os olhou com frieza e nojo, abrindo levemente os lábios finos:
— Peguem suas coisas agora mesmo e saiam da minha casa.
— O quê?
— Jorge, você está nos expulsando?
Bernardo e Dona Sônia perguntaram ao mesmo tempo. Aquele brilho de prazer pela desgraça alheia em seus olhos já havia desaparecido, sendo substituído por expressões de choque.
O olhar gélido de Jorge varreu o casal e, em seguida, pousou em Samuel, que estava sentado comportadamente no sofá.
Ao ver Jorge olhando para ele, Samuel levantou-se imediatamente e chamou com uma voz tímida:
— Cunhado... O Júlio está bem? Eu estava muito preocupado com ele...
Se Jorge não tivesse visto a expressão cruel de Samuel no vídeo do consultório do Dr. Cunha, ele ainda acharia, ao ver a aparência tímida e inocente do menino, que se tratava de uma criança honesta e obediente.
Jorge soltou uma risada de escárnio, envergonhado com a própria ingenuidade ao avaliar as pessoas.
Como o Dr. Cunha havia dito, às vezes não se pode julgar as pessoas com os olhos, mas sim com o coração.
Não apenas os adultos, mas também as crianças!
Jorge levantou a mão e apontou para Samuel, com a voz fria carregada de fúria:
— Levem-no também. A partir de hoje, nenhum membro da família Saraiva pode dar um passo aqui dentro!
Ao ouvir que também seria expulso, Samuel entrou em pânico. As lágrimas caíram instantaneamente e, balançando as mãozinhas, ele correu em direção a Jorge:
— Cunhado, eu não vou embora... Eu fiz alguma coisa errada? ... Pode falar, eu mudo, eu prometo que mudo... Aqui é a minha casa, eu não vou embora...
Jorge encarou Samuel com um olhar sombrio, sem nenhum traço da suavidade de antes:
— Aqui é a casa da família Cavalcanti, não a sua.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!