O grito estrondoso assustou Bernardo justo quando ele estava engolindo uma uva. Ele engasgou e começou a tossir sem parar.
Assim que se recuperou e estava prestes a xingar, virou-se e viu os rostos de Jorge e Henrique, escuros como o fundo de uma panela.
O corpo de Bernardo congelou imediatamente. Ele apressou-se em tirar os pés da mesa de centro e levantou-se um tanto atrapalhado, forçando um sorriso no rosto.
— Ah, então são o Jorge e o consogro que voltaram.
Os vizinhos e amigos convidados pela família Saraiva, ao ouvirem que os donos da casa haviam chegado, levantaram-se apressadamente, com expressões um pouco constrangidas.
Bernardo, ao ver a reação de seus amigos e vizinhos, sentiu-se desconfortável e envergonhado. Logo disse a eles:
— Não tem problema, não precisam ficar nervosos. Somos todos da família, sintam-se em casa.
Depois de falar, Bernardo aproximou-se de Henrique e Jorge com um sorriso bajulador.
— Jorge, consogro, estes são os vizinhos e amigos com quem eu costumo me dar bem.
A respiração de Jorge estava pesada. Olhando para a bagunça espalhada por toda parte, ele questionou friamente:
— Por que vocês estão aqui?
Ele não os chamou de sogro e sogra, nem de pai e mãe, usando diretamente o pronome "vocês".
Bernardo não percebeu nada de estranho de imediato. Apenas viu que a expressão de Jorge não era boa e achou que ele estava com raiva porque a casa estava muito bagunçada.
Então, apressou-se em usar a filha, Sabrina, como escudo, pensando que, com a tolerância que Jorge tinha por ela, ele certamente não diria mais nada.
— Foi a Sabrina quem ligou para nós dois. Ela disse que a sua família estava passando por problemas e que não tinha ninguém para tomar conta do Samuel esses dias. Então ela pediu que a gente cuidasse dele um tempo, e foi por isso que viemos.
Ao telefone, Sabrina não lhes dissera exatamente o que estava acontecendo com a família Cavalcanti. Quando Bernardo insistiu, ela respondeu que contaria depois.

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