Dona Sônia achava que quem havia chegado eram as faxineiras, e não esperava de forma alguma que fosse a família Cavalcanti.
Ao pensar que as palavras que sua família acabara de dizer muito provavelmente haviam sido ouvidas por eles, seu rosto se contraiu de imediato.
— Consogro, o senhor também veio... Ah... Por que não avisaram antes? Assim poderíamos ter nos preparado... — Os olhos de Dona Sônia desviavam, e seu tom era sem graça, mas em seu coração ela já começava a reclamar.
Que família era aquela? Tinham problemas em casa, abandonaram o Samuel sem deixar ninguém para cuidar dele, sumiram por dias sem dar as caras, e ainda sobrou para os dois velhos virem tomar conta do menino.
E agora voltavam do nada, sem sequer dar um aviso.
Ao ouvir isso, o rosto de Henrique ficou ainda mais sombrio.
— Que tipo de conversa é essa? Eu venho à casa do meu próprio filho e ainda preciso avisar‑lhe?
Quem você pensa que é?!
Há pouco, do lado de fora da porta, embora a interferência da música os impedisse de ouvir com clareza, ainda assim conseguiram captar algumas coisas.
Ele ouviu com os próprios ouvidos a família Saraiva afirmando com toda a certeza que Jorge lhes compraria uma casa e que, no futuro, a dariam ao filho mais velho. O mais nojento de tudo era que eles tinham a audácia de dizer que, no futuro, tudo o que pertencia a Jorge seria deles...
Quando a família foi fazer o pedido de casamento, essas pessoas não tinham essa atitude!
Dona Sônia não esperava que Henrique a desrespeitasse daquela forma, e sua expressão também azedou.
— Não é isso... É que a casa está muito bagunçada, não arrumamos nada... Fiquei com medo de não recebê-lo bem.
Henrique olhou para Dona Sônia, que agia e falava como se fosse a dona da casa, deu um bufo frio, ignorou-a e entrou diretamente.
Dona Sônia olhou para Henrique e, em seguida, voltou-se com uma expressão de injustiçada para Jorge, que mantinha o rosto frio e não havia dito uma palavra desde que entrou.
— Jorge... Olha o seu pai...
No passado, a atitude de Jorge para com Dona Sônia sempre fora educada, mas desta vez ele sequer olhou para ela, entrando com o semblante gélido.
Dona Sônia ficou confusa e inquieta com a atitude de Jorge, e apressou-se em segui-lo.
Enquanto andava, cobriu o nariz e resmungou:

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