Dona Sônia olhou ao redor da enorme mansão.
— Ah, que história é essa de comprar casa? Na verdade, eu acho que aqui já está ótimo. É grande e luxuoso o suficiente, tem quartos de sobra. Quando chegar a hora, o pai dela e eu nos mudamos para cá e ainda podemos ajudar a cuidar das crianças.
Fátima soltou uma risadinha sarcástica.
— Você não quer se mudar para cuidar de criança coisa nenhuma, você quer é vir morar aqui para ser servida por babás e aproveitar a vida boa.
Tendo suas intenções expostas, Dona Sônia não se ofendeu, mas riu alegremente.
— O pai dela e eu trabalhamos duro a vida toda, o que tem de errado em aproveitar um pouco? Não podemos deixar só a Sabrina curtir a vida boa, nós também merecemos viver sendo servidos.
Bernardo, no entanto, tinha uma opinião diferente.
— A casa ainda precisa ser comprada, e no nosso nome. Assim, quando partirmos, poderemos deixá-la para o irmão mais velho da Sabrina.
— Nossa, Bernardo, se você pensa assim, não tem medo de que seu genro descubra, fique com raiva e desista de comprar a casa para vocês? — perguntou Fátima.
Os outros concordaram em coro.
Pois é, onde já se viu fazer o genro comprar uma casa para depois deixá-la para o filho mais velho? Isso não era fazer o genro de idiota?
Bernardo, contudo, não deu a mínima.
— O que vocês sabem?! É a família Cavalcanti que deve isso à nossa família Saraiva...
— Ei! — Dona Sônia deu um empurrão em Bernardo. — Você não tem filtro na boca.
Com o aviso, Bernardo caiu em si. Ao encontrar os olhares fofoqueiros dos vizinhos e amigos, apressou-se em consertar:
— Meu genro é muito mais velho que a minha filha e ainda fez com que ela fosse xingada por tanto tempo na nossa cidade natal. Se ele não nos deve, então o que é?
Dona Sônia continuou:
— De qualquer forma, tudo o que a minha filha quiser, meu genro vai comprar. Meu genro não é bom só para a minha filha, é bom para toda a nossa família. Vejam só, minha filha disse que queria trazer o Samuel, e meu genro concordou sem pensar duas vezes. Um tempo atrás, quando eu estava com dor de estômago, meu genro largou a família e o trabalho, procurou especialistas e me acompanhou pessoalmente nas consultas.
Chegando a esse ponto, Dona Sônia deu uma risada fria.
— Depois eu ouvi a minha filha dizer que, quando meu genro estava me acompanhando nas consultas do estômago, a ex-esposa dele estava passando por uma cirurgia. E ele nem ligou, ficou só comigo e com a minha filha. Me digam, isso não é tratar a minha filha como a coisa mais preciosa do mundo?
Os vizinhos e amigos, vendo Dona Sônia contar aquilo sem o menor pingo de vergonha, não sabiam como reagir.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti!