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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 229

— Por quê? — perguntou ela.

— Eu também não sei, é o que todo mundo diz — respondeu o aldeão, surpreendido por um instante, mas com naturalidade. — De qualquer forma, essa criança passa o dia todo suja e fedorenta, é melhor você ficar longe.

Após dizer isso, o aldeão cobriu o nariz e se afastou.

Alice Almeida observou as costas do homem e, quando desviou o olhar de volta para Canino, a criança, sem que percebesse, já havia se distanciado, correndo para um canto mais afastado onde começou a cavoucar a terra.

Ela olhava para a criança com o coração apertado. Sendo mãe, era simplesmente incapaz de ficar de braços cruzados diante de um ser tão pequeno e vulnerável.

— Você se chama Canino, não é? — Alice Almeida se aproximou novamente, mas desta vez estendeu a mão e segurou a mãozinha encardida da pequena. — Vem, venha comigo. Vou levar você para se lavar.

O corpinho da criança enrijeceu por um instante e, em seguida, ela tentou puxar a mão com força para se soltar.

— Não tenha medo, vou levar você para se limpar — tranquilizou Alice Almeida, segurando-a com firmeza, sem soltá-la de jeito nenhum. — Quando estiver limpinha, ninguém mais vai falar mal de você.

A pequena paralisou, levantando a cabeça para encarar Alice Almeida, atônita. No rosto coberto de lama, seus grandes olhos escuros pareciam excepcionalmente brilhantes. Ela parecia estar julgando a veracidade das palavras da mulher.

Alice Almeida não lhe deu mais a chance de pensar ou recusar, pegando a criança diretamente nos braços e caminhando em direção à Hospedaria Municipal.

Ao ver aquilo, as pessoas ali começaram a cochichar umas com as outras.

— Vamos tirar essas roupas sujas primeiro, está bem? — perguntou ela com ternura, após fechar a porta do banheiro.

A pequena assentiu, com o corpo todo contraído.

Alice Almeida tirou a blusa de Canino com extrema delicadeza. Ao ver o corpo raquítico e ossudo da criança, ela não pôde evitar um suspiro brusco de choque.

E então, ficou perplexa...

— Canino... — Alice Almeida olhava para a criança à sua frente, sem conseguir acreditar. — Você é uma menina?

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