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Não Quero Mais Ser A Sra. Cavalcanti! romance Capítulo 228

Observando o aparelho em suas mãos, Zeca sentiu tanta vergonha que desejou que um buraco se abrisse no chão para engoli-lo ali mesmo.

O rosto do Sr. Zózimo também corou violentamente. Ao lembrar-se de como esmurrara a mesa e a encarara feio naquela noite, e ao olhar para Alice agora, sentiu-se completamente indigno.

— Sr. Zózimo, deixarei esses aparelhos aos seus cuidados. Depois, conduzirei um treinamento geral sobre como utilizá-los — explicou Alice.

Em seguida, o Sr. Zózimo e sua equipe retomaram as tarefas de realocação dos moradores e o planejamento da reconstrução. Enquanto isso, Alice guiou o pessoal do instituto no treinamento dos técnicos locais e prosseguiu com a definição dos locais para as estações de monitoramento.

Após uma manhã exaustiva de muito trabalho, Alice terminou de comer um macarrão instantâneo na Hospedaria Municipal e saiu sozinha para caminhar.

Primeiro, para fazer a digestão; segundo, para aproveitar o tempo livre e ver como estava a situação na vila.

Assim, sem perceber, ela caminhou até a Escola Municipal da Serra. Aquela instituição era a única escola de toda a pobre região.

O pátio da escola estava cheio de pessoas, a maioria moradores evacuados da base da montanha no dia anterior, que haviam sido temporariamente abrigados ali pela equipe do Sr. Zózimo.

Sendo horário de almoço, dois enormes caldeirões ferviam no pátio de terra batida — um cheio de arroz e o outro com um ensopado —, enquanto os moradores faziam fila de forma organizada para se servir.

Alice entrou e, ao notar o Sr. Zózimo de pé ali perto, perguntou se havia algo em que ela pudesse ajudar.

O Sr. Zózimo sorriu e acenou com a mão:

— Já terminamos por aqui. Os moradores que tinham para onde ir já partiram temporariamente; só ficaram aqueles que não têm outra opção. Como a escola está em recesso, eles ficarão abrigados aqui por enquanto. Estamos cuidando da comida e do alojamento, então tudo está sob controle.

Alice observou-o com atenção; embora ele estivesse sorrindo, não conseguia disfarçar a tristeza no fundo dos olhos.

— E quanto à reconstrução? Quando vai começar?

As casas daquelas pessoas haviam sido quase todas destruídas. Eram, em sua maioria, agricultores que trabalharam a vida inteira no campo; sem suas casas, eles literalmente não tinham mais nada.

Com a pergunta tocando no ponto crítico, o sorriso no rosto do Sr. Zózimo desapareceu por completo:

— Agora só nos resta esperar a liberação das verbas.

— Não se preocupe, é uma questão urgente e as autoridades superiores não vão virar as costas; os recursos devem chegar em breve.

Além disso, uma tragédia dessas proporções, assim que reportada pela mídia, rapidamente chamaria a atenção de todo o país. Logo, diversos setores da sociedade estenderiam a mão para ajudar.

Na noite anterior, ela também informara o incidente a Samuel Lima, e ele garantira que o instituto arrecadaria um fundo solidário para enviar como doação à comunidade.

Ao mesmo tempo, ela mesma pretendia destinar uma parte de suas economias pessoais para doar à vila, sob o nome do instituto.

Após trocarem mais algumas palavras, o Sr. Zózimo recebeu a notificação de que as verbas haviam sido liberadas e partiu radiante.

— Não tenha medo, nos conhecemos ontem.

O menino não respondeu; simplesmente voltou a se agachar e continuou arranhando a terra com as mãos.

Alice o observou. Vendo que ele parecia mais calmo, decidiu perguntar:

— Onde está a Vovó Dita?

Afinal, no dia anterior, ele não desgrudara da avó nem por um segundo.

Contudo, mesmo após a pergunta de Alice, o menino permaneceu em silêncio por um longo tempo.

Nesse momento, um dos moradores se aproximou:

— Você é de fora, veio ajudar a gente, né? Moça, não dá papo para esse moleque não, ele é bicho ruim. Na família deles, não se salva um.

As palavras do homem fizeram as mãos do menino pararem abruptamente de escavar a terra. Seu rostinho coberto de lama cinzenta não revelava qualquer emoção, mas seus pequenos lábios estavam apertados com força.

Alice recordou-se de que, no dia anterior, as outras crianças no ônibus também diziam a todos para manterem distância daquele garoto chamado Canino.

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