Agora que o seu maior desejo estava prestes a se tornar realidade, por que sentia aquele aperto estranho e desconfortável dentro do peito?
Júlio não conseguia entender os próprios sentimentos, então apenas permanecia em silêncio.
— Sabrina, não fique segurando o Júlio. Deixe ele ir brincar com o seu irmão. — sugeriu Camila.
Sabrina olhou carinhosamente para o menino e perguntou em voz suave:
— Júlio, quer ir brincar um pouco?
Júlio olhou para os adultos na sala, e em seguida para Samuel, que estava encolhido no canto. Por fim, assentiu.
— Quero.
— Tudo bem. — Sabrina o colocou no chão. — O Samuel é um pouquinho mais novo que você. Brinquem direitinho, está bem?
Ela então se dirigiu ao irmão:
— Samuel, cuide bem do Júlio.
Samuel apertou os lábios e assentiu com a cabeça.
— Vamos brincar lá no quintal. Posso te mostrar o meu cavalinho de madeira. Foi a minha irmã quem comprou, é muito divertido.
Júlio já estava cansado de brinquedos como cavalinhos de madeira, mas também não queria ficar ali. Assim, aceitou o convite com alegria.
Samuel pegou a mão do garoto e os dois saíram correndo aos risos.
Os Cavalcanti ficaram felizes com a cena. Júlio não tinha amigos na escola e raramente brincava com outras crianças. Vê-lo interagindo bem com Samuel deixou a família aliviada.
Guiado por Samuel, Júlio foi levado até a sombra no quintal, onde um pequeno cavalinho de pau repousava.
Samuel apontou para o brinquedo.
— Olha, foi a minha irmã quem me deu. Eu gosto muito dele, quase nem brinco para não estragar.
Júlio não pensou muito, subiu no cavalo e se balançou algumas vezes antes de dar o seu veredito:
— É legalzinho, mas eu tenho um cavalo elétrico em casa. Ele se balança sozinho.
Ele não reparou na mudança no rosto de Samuel e continuou brincando no cavalinho de pau.
— O Júlio está chorando!
Sem perder tempo, ela correu para o quintal. Jorge e Sabrina foram logo atrás. Yara, Henrique e o casal Saraiva também saíram apressados.
No quintal, Júlio e Samuel estavam caídos, um de cada lado do cavalinho de pau.
— Júlio! — Camila correu, pegou o menino no colo e examinou seu corpo de cima a baixo. Ao notar que não havia machucados visíveis, soltou um suspiro de alívio.
Logo em seguida, lançou um olhar fulminante para Samuel. Mas o menino estava com os joelhos e cotovelos sangrando, ferimentos muito mais graves que os de Júlio. Ao ver a família Saraiva se aproximando apressada, Camila engoliu as palavras duras que estavam na ponta da língua.
Sônia pegou Samuel no colo, exclamando desesperada:
— Ai meu Deus, o que aconteceu aqui?!
Júlio chorava aos prantos, soluçando a ponto de não conseguir formular uma única frase.
Samuel também soluçava compulsivamente e disse em meio às lágrimas:
— Eu... Eu trouxe ele para brincar no meu cavalo... Eu mal brinco com ele pra não estragar... E ele disse... que o meu cavalinho é ruim... e me empurrou...

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