A palavra "dote" fez os olhos do Sr. Saraiva brilharem imediatamente.
No entanto, lembrando-se das instruções que Sabrina lhe dera ao telefone, ele reprimiu a ganância.
— Não precisamos falar sobre dotes e cerimônias agora. Apenas uma coisa: já que vão casar, que registrem isso o mais rápido possível no cartório. Assim, nós dois ficaremos mais calmos e não teremos que nos preocupar com surpresas desagradáveis, como o que aconteceu naquele primeiro casamento.
Henrique assentiu.
— Naturalmente. Já providenciei os contatos necessários. Eles irão ao cartório na segunda-feira de manhã cedo assinar os papéis.
Os pais de Sabrina trocaram um olhar de incredulidade.
Não esperavam que a família Cavalcanti estivesse com mais pressa que eles.
Mas era perfeito; registrar tudo de uma vez evitaria problemas futuros.
O Sr. Saraiva finalmente sorriu.
— Certo! Então, a partir de hoje, somos todos família! — disse ele, lançando um olhar atravessado para Sônia. — O que está fazendo parada aí? Vá buscar um chá para a nossa nova família!
Sônia abriu um sorriso largo e correu para preparar o chá, toda animada.
Sabrina, que estava tensa desde que chegara, finalmente relaxou o coração.
Ela sentou-se ao lado de Jorge e segurou a mão dele espontaneamente.
O braço de Jorge ficou tenso, e ele tentou recolher a mão por instinto. Ainda não conseguia se adaptar à mudança repentina no relacionamento com a aluna. Porém, ao olhar nos olhos pidões de Sabrina, ele não teve coragem de se afastar e deixou que ela a segurasse.
A atmosfera no ambiente ficou mais leve. Sônia retornou carregando o bule e algumas frutas, distribuindo tudo sobre a mesa de centro.
Foi só então que Yara reparou no garotinho que estava em pé, quietinho, no canto da sala.
— Quem é aquela criança?
Sônia parou de servir o chá e olhou para o menino.
— Ah, é o irmão caçula da Sabrina.
Yara sabia que Sabrina tinha dois irmãos. O mais velho já era adulto e trabalhava. Ela imaginava que o mais novo devesse estar na escola, mas nunca pensou que fosse ter quase a mesma idade de Júlio.
Ela olhou para os pais de Sabrina.
Samuel apertou os lábios e olhou novamente para Sabrina. Vendo a expressão severa no rosto dela, corrigiu-se imediatamente:
— Obrigado, tia.
— Sabrina, ele parece ter muito medo de você.
Sabrina sorriu de lado.
— Meus pais sempre trabalharam muito, então fui eu quem criou o Samuel na maior parte do tempo. É natural que ele me respeite mais.
Camila soltou uma gargalhada.
— Viu só? Eu sabia que você tinha jeito com crianças! Já tem experiência. Não é à toa que o Júlio gosta tanto de você.
Desde que entraram na casa, Júlio não havia aberto a boca. Permaneceu encolhido silenciosamente no colo de Sabrina.
Quando a tia mencionou o seu nome, ele apenas lançou um olhar vazio.
Era estranho. Ele gostava da Tia Sabrina e sempre sonhou que ela virasse sua mãe de verdade.

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