"E aí, coelhinha. Sentiu minha falta?"
Ignorei sua presença e tentei passar por ele, mas seus dedos se fecharam firmemente em meu braço, enquanto aquele sorriso estúpido adornava seu rosto. Ah, como eu queria poder arrancar aquele sorriso!
"Me larga! Você tá me machucando!", gritei, lutando para me soltar. No entanto, ele me apertou ainda mais.
Pelo jeito, não estava nem aí.
"Awn, a coelhinha finalmente mostrou que sabe falar...", provocou ele.
Encarei-o com olhos afiados, mas ele não pareceu se importar.
"Me larga", repeti, tentando o meu melhor para soar firme - e falhando miseravelmente.
"Te largar? Mas eu voltei só por sua causa. Senti saudades, sabia?", rebateu ele, deixando seus olhos vagarem brevemente pelo meu corpo, antes de retornarem ao meu rosto. "Devo dizer que você cresceu bastante nesses dois anos, mas ainda é tão feia quanto eu me lembrava."
Por mais que eu dissesse a mim mesma para não ligar para as palavras dele, ainda assim me machucavam.
Meus olhos ardiam, e eu tinha que sair dali logo, antes que não aguentasse e acabasse chorando.
"Mandei me largar, Hayden!", berrei, tentando passar por ele com todas as minhas forças. Contudo, ele nem se moveu, e seu sorriso só aumentou.
"E se eu não quiser? Parece que você ficou corajosa, hein?", comentou ele, rindo. Porém, seu ar atiçador foi subitamente substituído por uma aura ríspida, e ele se inclinou e sussurrou em meus ouvidos: "Será um prazer te humilhar mais uma vez".
Eu havia dito a mim mesma muitas vezes que eu não era mais aquela garota fraca que se permitiria ser intimidada...
Eu precisava ser forte agora, ou passaria meu último ano na escola comendo na palma da mão de Hayden...
Pensando nisso, dei-lhe um tapa!
Nós dois nos surpreendemos por um momento.
Não foi minha intenção. Havia sido por impulso. Em um instante, eu estava presa, mas, no próximo...
O choque em seu rosto era impagável.
Um... dois... três... Os segundos passavam, e o tempo pareceu ter congelado.
Todavia, não demorou muito para que ele agarrasse meus ombros e me empurrasse contra o armário.
"Você vai pagar por isso!" Ele fervia de raiva, mantendo o braço suspenso. Fechei os olhos, me preparando para receber o troco. Porém, um minuto se prolongou, depois outro, e nenhum golpe se concretizou.
Abri meus olhos cautelosamente e espreitei, encontrando seus olhos verde-floresta. Por um instante, algo reluziu em seu olhar, mas desapareceu antes que eu pudesse desvendar suas emoções.
"Gracie?" Uma voz quebrou nosso transe, e ele soltou meus ombros, virando-se e indo embora.
"Por que você não tá na aula? O intevalo já terminou", disse Lyn. Entretanto, seu foco estava todo na forma como Hayden se retirava.
Ao entrar, larguei minha mochila e me joguei no sofá.
"É você, filha? Já chegou?", perguntou minha mãe, descendo as escadas.
"Sim", respondi, resistindo ao desejo de revirar os olhos. Ela estava me vendo, mas, ainda assim, soltou suas perguntas óbvias, como de costume.
Meu pai era um jornalista, e minha mãe trabalhava em um hospital, como enfermeira.
O papai estava sempre viajando, por isso, passei a maior parte do tempo com a mamãe e, claro, com minha 'querida' irmã, Ashley.
"Fiquei com o turno da noite hoje, então, já vou ter que sair. Mas deixei o jantar pronto. Te amo", disse ela, beijando minhas bochechas. "E quando sua irmã chegar, certifique-se de fechar todas as janelas e portas. Não esqueça..."
"Tá bom, tá bom. Eu sei", murmurei, antes que ela comaçasse com seus longos sermões sobre como não era seguro na vizinhança e blá, blá...
Após um banho rápido, dirigi-me à cozinha para jantar. No entanto, meus pensamentos persistiam em voltar para o que ocorreu na escola.
Eu ainda não conseguia acreditar que dei um tapa nele, embora não pudesse negar que ele mereceu. Só esperava que, a partir de agora, ele me deixaria em paz...
Enquanto eu lavava a louça, uma série de suspiros escaparam de meus lábios.
Como Ashley ainda não havia voltado, decidi subir e fazer minhas lições de casa.

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