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Minha Senhorita Coelhinha romance Capítulo 9

Ao acordar, observei meu reflexo no espelho.

Eu parecia ter sobrevivido a uma guerra. Havia olheiras sob meus olhos, que pareciam desprovidos de vida, e meu rosto estava terrivelmente pálido.

Meu olhar voltou-se à cama, onde ele havia abusado de mim na noite passada.

Antes de ontem, meu quarto era meu porto seguro, em que eu podia chorar e me consolar sempre que ele me machucava.

Entretanto, ao invadi-lo, ele destruiu meu último refúgio...

Ainda me lembrei de quando o vi pela primeira vez. Foi na época do fundamental. Eu tinha apenas onze anos, e ele treze. Ele era um aluno novo, com lindos olhos verdes, que acabara de se mudar para a cidade. Todos queriam ser seus amigos, e as meninas da turma eram caidinhas por ele; inclusive eu.

No entanto, ele sempre ficava sozinho em um canto, calado.

Assim como os outros, eu também queria encontrar uma forma de conversar com ele. Porém, num certo dia, acabamos nos esbarrando no refeitório, e derramei meu suco de laranja em sua camisa.

Eu estava prestes a me desculpar, quando ele me empurrou com tanta força que caí no piso frio.

"Você é cega!?", berrou ele, com os punhos cerrados, me encarando com uma raiva descabível.

Logo, toda a escola caiu na gargalhada, e me senti muito mal.

"M-Me desculpa...", sussurrei, segurando as lágrimas.

"Na próxima vez, vê se olha por onde anda, nerd", provocou ele, antes de sair, cheio de raiva. Suas palavras finais despertaram risadinhas e comentários entre as outras pessoas.

Recordei-me de ter chorado o dia inteiro após voltar para casa, e de ter ficado sem comer nada. Me culpei por não ter tê-lo irritado, mas, ao mesmo tempo, senti que ele não deveria ter dito aquelas coisas ruins para mim...

No dia seguinte, as demais crianças passaram a me apelidar com nomes cruéis, e isso continuou por vários dias. Até mesmo meus amigos começaram a me evitar. Nenhum deles queria se envolver com a desastrada, ou com uma garota que Hayden desaprovava.

Um dos meninos, do qual esqueci o nome, chegou ao ponto de me pressionar contra uma mesa e me bater com toda a força, enquanto os outros assistiam e riam.

Guardo na memória o instante em que fugi para o banheiro, desabando em lágrimas, e resisti em sair até que a professora veio me procurar.

Mais tarde, naquele mesmo dia, Hayden brigou com o menino que me bateu. Furioso, ele deu-lhe uma surra, desferindo cotoveladas e chutes viciosos.

O olhar em seu rosto me apavorou. Parecia que ele gostava de causar dor.

Em seguida, ele anunciou que ninguém tinha permissão para me machucar. Por um momento, ele foi meu herói; meu cavaleiro do cavalo branco. No entanto, eu estava amargamente enganada.

Ele só queria me intimidar ele mesmo...

Desde então, notei que eu era a única pessoa que ele desprezava daquela forma, e passei diversas noites me questionando o que eu teria feito para ofendê-lo tanto, além de ter derramado meu suco nele, algo pelo qual já havia me desculpado.

Ele fazia questão de me ridicularizar e me envergonhar publicamente sempre que podia. Eu não tinha amigos, e os professores não se importavam. Papai estava sempre viajando, e, mesmo nas poucas vezes em que eu alertava a mamãe, ela não dava bola, dizendo: "A escola é assim mesmo. Logo, o menino para".

Mas ele não parou. Em vez disso, piorou cada vez mais...

A partir daí, guardei tudo para mim mesma. Quando o ensino fundamental chegou ao fim, pensei que, finalmente, me libertaria dele. No entanto, esse foi mais um triste equívoco da minha parte...

Éramos relativamente abastados. Com o trabalho bem-sucedido do papai, tínhamos recursos suficientes. Expressei o desejo de me transferir para outra escola, mas eles se recusaram, insistindo que o Colégio Water Bridge era o melhor lugar para me garantir um futuro promissor. No entanto, o que eles não sabiam era que minha verdadeira motivação para sair era Hayden...

Logo, ele começou a me agredir, me empurrando contra armários e mesas e jogando bebidas em mim. No fundamental, ele usava apenas palavras para me machucar, mas, no ensino médio, ficou ainda mais cruel...

Por sorte, encontrei um novo amigo, Harry, que se posicionou contra Hayden e fez o possível para me proteger. No entanto, algo que desconheci lhe aconteceu. Em um certo dia, ele chegou à escola e, de repente, passou a evitar meu olhar. Essa situação prolongou-se por dias e, quando finalmente decidi confrontá-lo, fui surpreendida com um aviso para manter distância. Dias depois, Harry transferiu-se para outra escola, deixando-me, outra vez, sem amigos.

Houve uma época em que, só de ouvir seu nome, eu quase me urinava. Precisei obedecê-lo, ou arcaria com as consequências.

No começo, eram só empurrões, puxões e, às vezes, tapas, se eu desobedecesse, mas, depois, mudou...

"Até soltou o cabelo e pôs lentes de contato. Tá tentando impressionar quem?" Ele fervia de raiva, aumentando a força com que me segurava.

"Ninguém!"

Um sorriso perverso formou-se em seus lábios; um sorriso que eu conhecia muito bem.

"Bom mesmo, porque ninguém ia querer uma v*gabunda que nem você. Vou te fazer se arrepender de ter vindo estragar meu humor!"

Eu esperava que ele me batesse, como sempre fazia, mas ele fez algo diferente; algo que me assustou ainda mais que seus golpes.

Ele se inclinou sobre mim, tão próximo que meu peito pressionava-se contra seu musculoso peitoral. Seu nariz afundou na curva do meu pescoço, e ele inspirou profundamente. Não compreendi o que ele estava prestes a fazer, até que senti seus dentes roçarem minha pele, seguidos pela carícia de sua língua. Um beijo rude, lambidas e mordiscadas, enquanto eu permanecia ali, indefesa. Por fim, ele sustentou meu olhar aterrorizado por um longo momento, antes de seus dedos percorrerem meu queixo, erguendo-o.

"Posso estar indo embora, mas você ainda é minha. Sempre será...", sussurrou ele, em um tom feroz e possessivo.

Então, ele pressionou seus lábios contra os meus. No início, hesitei em abri-los, mas ele insistiu, mordendo-os com vigor. Senti um engasgo escapar, e sua língua invadiu minha boca. Ele se movimentou com ferocidade, como se estivesse faminto, devorando cada pedaço de mim, conforme sugava o ar dos meus pulmões.

Tentei debater-me, mas suas mãos imobilizaram as minhas, à medida que ele continuava a me roubar os lábios. Quando finalmente se afastou, ambos lutávamos para recuperar o fôlego. Nos seus olhos, pude perceber um ódio ardente por mim. Ele me encarava intensamente, como se estivesse absorvendo cada traço do meu rosto. Após algum tempo, ele partiu, enfurecido, deixando-me mais confusa do que nunca. Por que ele me beijou e me olhou daquela forma?

Foi naquele instante que percebi que havia acabado de dar meu primeiro beijo...

Não entendi muito bem o significado das palavras que ele me disse, até chegar na escola no dia seguinte e ouvir alunos comentando que ele havia ido embora; que tinha se mudado com a família para outro estado.

Senti um alívio imenso, mas o medo que ele havia plantado em mim ainda persistia.

Deste modo, carreguei o trauma que ele me infligiu. Só recentemente, estava começando a superar as sequelas de suas ações.

No entanto, para minha angústia, o tormento recomeçou...

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