Givaldo chorou até perder as forças, ficando deitado e abafando o choro enquanto apanhava.
“No final, esses dez golpes foram por você não se comportar como um homem! Diante de qualquer dificuldade pequena, você já começa a chorar, só sabe chamar pela mãe ou pelo pai, sem saber resolver os problemas sozinho, merece apanhar!”
Bruna, ao lado, assistia com o coração quase saindo pela boca; afinal, ela já era uma senhora de idade e sentia pena da criança.
No entanto, ao olhar para o outro lado, viu que o senhor estava calmamente tomando seu chá, sem demonstrar a menor intenção de intervir e ainda com um leve sorriso nos lábios.
Depois de disciplinar o menino, Samara jogou o cinto de lado.
Com a mão cansada de tanto bater, abaixou a cabeça para massagear o pulso dolorido.
Givaldo quase desmaiou de cansaço e ficou largado ali, mesmo após a “bruxa” sair, sentindo uma ardência intensa no traseiro.
Ele olhou para Ernesto com uma expressão de injustiça, abriu a boca e estava prestes a chorar novamente: “Papai, papai... me salva!”
Samara levantou o olhar lentamente e lançou-lhe um olhar gélido, rindo com desprezo: “Chamar seu pai não adianta. Se ele fosse igual a você, eu bateria nele do mesmo jeito!”
Givaldo sentiu um calafrio nas costas ao ouvir isso, não ousando dizer mais nada e segurando as lágrimas com todas as forças.
No fundo, reconheceu o verdadeiro temor que aquela mulher inspirava.
Afinal, nem sua mãe jamais ousara dizer algo assim para seu pai.
Ernesto curvou levemente os lábios e, com um leve sorriso, disse: “Samara está certa. Nesta casa, o que ela diz é como se fosse eu dizendo.”
Givaldo olhou incrédulo para aquele homem habitualmente sério, que agora defendia aquela “bruxa” com tanta gentileza. Era mesmo seu pai?
Samara resmungou e ignorou o menino indisciplinado, virando-se e subindo elegantemente as escadas para lavar o rosto.
A surra parecia ter surtido um efeito excelente.
Quando Samara saiu do banheiro, já não ouviu mais nenhum choro vindo do andar de baixo.
Retornando ao quarto, deitou-se e acendeu o abajur. Em seguida, ligou para sua amiga Isabel Lacerda.
Isabel fora sua colega de faculdade e também era mãe solteira, morando na vizinha Cidade Palmeira Verde.
Nos últimos anos, devido ao trabalho, as duas raramente se encontravam, mas mantinham contato por telefone quase toda semana.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha Rosa Me Deixou