Ernesto lembrou-se do olhar fixo de Thiago, preso no segundo andar.
Num instante de claridade em sua mente, ele pensou que a mulher por quem Thiago havia se apaixonado à primeira vista era Samara.
Porém, a mulher em seus braços naquele momento parecia recém-desperta, sem forças para resistir às suas provocações.
Parecia que ela dormira profundamente, sem dar indícios de ter saído do quarto.
Ernesto achou-se tolo por ter cogitado tal possibilidade.
“Você está doente, louco, completamente sem noção!” Samara o empurrou com irritação.
Ele sorriu levemente, retomando a postura gentil de antes e ajustou o roupão nela: “Vamos descer para comer? Hoje Bruna preparou vários dos seus melhores pratos.”
Samara realmente estava faminta, então, de bochechas infladas e expressão descontente, acompanhou-o até o andar de baixo.
No térreo, uma funcionária segurava um garotinho no colo e tentava alimentá-lo com mingau.
Foi a primeira vez que Samara viu a criança de forma oficial.
O menino era até bonito, mas extremamente franzino, com uma delicadeza doente no olhar, lembrando um pouco Geovana.
O pequeno apresentava febre alta; ao receber uma colher de mingau próximo aos lábios, ficou nervoso e começou a chorar, derrubando a tigela com um tapa.
O mingau, ainda intacto, foi desperdiçado no chão.
Tsc. Samara franziu o cenho, observando que aquele garoto tinha um temperamento nada fácil.
“Givaldo Mendonça.”
A voz grave do homem ecoou do topo da escada.
Imediatamente, a criança cessou o choro, demonstrando um medo especial de Ernesto, murchando os lábios e olhando-o com olhos úmidos: “Papai.”
Samara interrompeu o movimento ao descer os degraus, surpresa com a cena.
Papai?!
Ernesto não corrigiu o menino quanto ao chamado, apenas manteve o semblante sério e se aproximou: “Pegue o que caiu no chão e coma.”
Givaldo lançou-se nos pés de Ernesto, agarrando-se à sua perna e choramingou: “Papai... quero a mamãe! Quero a mamãe!”
Com uma das mãos, Ernesto ergueu o menino e o colocou à mesa: “Se não comer direito, nunca mais verá sua mãe.”
“Mamãe! Mamãe!” Givaldo passou a berrar em altos brados.
Samara sentiu os ouvidos latejarem com tanto barulho.
Já vira muitas crianças, mas nenhuma tão barulhenta.
Sentou-se na outra ponta da mesa, pegou alguns pedaços de pão, molhou-os na sopa e serviu-se de um pouco de macarrão.

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