“……”
Ele realmente tinha ouvido.
Samara ficou imediatamente tomada pelo medo, seu rosto perdeu um pouco da cor e seu coração passou a bater cada vez mais forte e pesado.
Ela engoliu em seco, tentando umedecer a garganta ressecada.
Esse gesto sutil, porém, não escapou aos olhos do homem.
“Já está pensando em ter filhos?” Ele cobriu o rosto dela com a mão, os dedos acariciando suavemente sua pele, enquanto o olhar carinhoso cedia espaço, pouco a pouco, a um desejo crescente.
Samara sorriu constrangida e se esquivou do toque dele. “Você viu como tratei aquele Givaldo. Meu temperamento não é dos melhores, não sou a pessoa certa para ter filhos.”
Por dentro, ela se acalmou.
Se ele fazia essa pergunta, provavelmente não suspeitava que ela estivesse grávida.
Ernesto recostou-se de leve na cabeceira da cama, apoiando a mão na cintura dela, e brincou: “Você faz o papel de mãe brava e eu tento ser o bom pai, não seria uma dupla perfeita?”
Samara o olhou franzindo a testa, como se observasse um animal exótico: “Tomou o remédio errado de novo, Sr. Siqueira? Eu com a minha condição, como poderia ser digna de ter um filho seu?”
“Que condição é essa?”
Ele se aproximou sorrindo, encostando o nariz no dela, e beijou-lhe os lábios. “Quem foi que, na frente do Myron, disse que ia me bater? Me bate agora para eu ver.”
“……”
Samara o empurrou, enfiando-se sob as cobertas, e resmungou: “Você tem umas manias bem estranhas.”
Naquele momento, com seu jeito preguiçoso, ela não lembrava em nada a mulher enérgica e vibrante que havia enfrentado Givaldo no andar de baixo.
Ernesto, porém, preferia vê-la assim, verdadeira e espontânea.
Através do cobertor, ele a puxou para junto de si: “Acabei de ligar para Geovana e pedi para ela buscar a criança. O jantar foi preparado de novo, desça para experimentar?”
“Não consigo comer, só quero dormir.” Samara remexeu-se duas vezes no abraço dele.

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