Logo após, dois ou três passos se aproximaram em direção ao quarto interno.
Ouviram-se duas vozes masculinas maduras e a voz de uma senhora idosa.
Samara reconheceu que a idosa era a avó de Ernesto.
Ernesto a havia levado para casa duas vezes e a avó dele, dona Catarina, gostava muito dela. Sempre fazia questão de lhe dar um envelope com dinheiro e insistia para que se sentasse ao seu lado para jogar buraco.
Quando Samara perdia, a avó não aceitava o dinheiro dela; quando ganhava, ainda dobrava o prêmio.
Dizia que era para apressarem o casamento e lhe darem logo um neto forte e saudável.
Tirando essa insistência por um bisneto, para Samara, a simpática senhora era uma mulher afetuosa, acessível e com uma vida confortável.
Ernesto conduziu a avó até o sofá e pediu: “A senhora prefere aquele chá de erva-cidreira?”
Debaixo da mesa, Samara tapou a boca, sem ousar emitir qualquer som!
A mesa sob a qual ela se escondia ficava bem em frente ao sofá.
Qualquer movimento poderia fazê-la ser descoberta.
Enquanto isso, o pequeno gato gordo que estava à sua frente parecia completamente tranquilo.
Espreguiçando-se preguiçosamente e coçando as orelhas, o bichano semicerrava os olhos, observando Samara com evidente diversão.
“Sim, esse mesmo está ótimo”, respondeu a avó com serenidade.
Ernesto assentiu e voltou-se para o homem ao lado: “Senhor, o que vai querer para beber?”
O homem vestia um traje de equitação casual: colete marrom-escuro que ressaltava seu porte atlético, camisa bege clara por baixo, com alguns botões do colarinho abertos de forma despretensiosa, revelando a pele dourada do pescoço.
Senhor?
Samara se surpreendeu um pouco, pois já ouvira falar do irmão de Ernesto.

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