Ernesto passou a mão pela testa e disse: “Vovó, eu entendi tudo o que a senhora falou.”
“Da boca pra fora diz que entendeu, mas na prática não vejo você tratando ela direito. Vive flertando por aí.”
Samara não conseguiu evitar e esboçou um leve sorriso nos lábios.
Pensou que, em toda a família Siqueira, apenas Catarina conseguia impor respeito a Ernesto.
Ernesto soltou um sorriso contido: “A senhora está sendo injusta comigo.”
A avó resmungou friamente: “Se estou ou não sendo injusta, você sabe muito bem! Aquela tal de Geovana, você ainda está se comunicando com ela?”
Ernesto descascava uma toranja com indiferença, os dedos longos e ágeis. “Ela está sozinha com o filho em Cidade do Paradoxo, não é fácil para ela. Além disso, a senhora sabe muito bem por que eu cuido dela.”
A avó virou o rosto teimosamente, dando a entender que não queria mais comer.
Assim que ela terminou de falar, o som da campainha ecoou pela casa.
Bruna foi rapidamente atender a porta e, em seguida, apareceu dizendo: “Senhor, é... a Sra. Coelho chegou!”
O semblante da avó mudou instantaneamente!
Ela bateu a xícara com força sobre a quina da mesa: “Não deixe ela entrar! Mande ela embora!”
Bruna continuou: “A Sra. Coelho disse que o filho dela está doente, o aquecedor quebrou e a única cama que tinham ficou toda suja de vômito. Queria saber se poderia passar uma noite aqui.”
“De jeito nenhum!”
A idosa já não aguentava mais ouvir aquilo. “Se quiser se hospedar, que pague como se fosse um hotel cinco estrelas!”
“Vovó, isso não faz sentido.” Ernesto demonstrou certa resignação. “Vou lá ver.”
Catarina, indignada, também seguiu atrás.

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