Ele permanecia curvado, com a cabeça baixa, expressão indecifrável, enquanto o cheiro de fumaça o envolvia por completo.
Fábio crescera sob rigorosa disciplina, jamais se deixara envolver por cigarro ou álcool; mesmo em raras ocasiões sociais, apenas aceitava por consideração.
Os passos dela se fixaram no chão naquele instante, sentindo como se não conseguisse avançar nem um centímetro.
Agora, até o último véu de dignidade que lhe restava fora arrancado, caindo diante dele.
Samara não soubera como encará-lo naquele momento.
Fábio terminou de fumar o cigarro inteiro e, ao se levantar, cruzou o olhar com Samara.
Seu passo estancou; um grão de cinza caiu sobre o dorso da mão, provocando uma ardência dolorosa.
Samara trocou um olhar com ele, reprimiu o pânico nos olhos, inspirou fundo e, fingindo não tê-lo visto, tentou empurrar a porta do quarto do hospital.
“Você, pare aí.”
A mão de Samara apertou-se um pouco mais na maçaneta, mas ela ainda assim suspirou.
Fábio aproximou-se por trás dela e, de um só movimento, arrancou o casaco de seus ombros, lançando-o ao chão como se fosse lixo.
Sempre tão cortês e gentil, naquele momento ele parecia fora de controle.
“Samara, o que está acontecendo com você?”
De trás, a voz dele soou profunda, carregada de cobrança: “Você não disse que ia embora? Por que ainda fez aquilo com ele? Quando estava com ele, pensou no bebê que carrega?”
“Você acha que era o que eu queria?”
O olhar de Samara caiu, ela balançou a cabeça suavemente, os cílios espessos ocultando o vazio do olhar. “De nada adiantou. Ele descobriu que pedi ajuda à família Guerra, sabe que você pediu demissão e vai para Porto do Sopro Solar. Não consigo escapar, nem enganá-lo.”
Ao falar, os olhos dela se avermelharam, e as lágrimas caíram, uma a uma, sobre a mão.

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