Ao ouvir o barulho na porta, Viviana falou: “É o Fábio que está na porta?”
“Sou eu, Sra. Castilho.”
Fábio entrou lentamente, segurando Samara pela mão, e sorriu ao dizer: “Trouxe a Samara para vê-la. A senhora não queria conversar com ela?”
Samara apertou os dedos, nervosa, e levantou o olhar trêmulo de forma muito lenta.
Nos últimos sete anos, foi a primeira vez que ela os encarou diretamente.
Marco Vieira parecia ter envelhecido bastante; mesmo tingindo o cabelo de preto, não conseguiu esconder os fios grisalhos que surgiam, e o topo da cabeça aparentava uma calvície lamentável.
As mãos dele, marcadas pelos anos de trabalho em engenharia, pareciam troncos de árvores secas.
Naquele momento, ele segurava sua filha mais nova, entretendo-a com um chocalho, e em seus olhos fundos havia um sorriso afetuoso.
Quando ergueu o olhar e viu Samara, a expressão gentil congelou por um instante.
Ele a observou de cima a baixo com muita atenção, e então, fixando-se em seu rosto delicado, sorriu levemente: “É verdade que uma moça muda muito depois de adulta, quase não te reconheci.”
A voz dele, outrora poderosa, agora soava como um instrumento antigo enfraquecido, e Samara sentiu uma pontada de tristeza no peito.
Por mais que tentasse se mostrar forte diante dos outros, diante dos pais continuava sendo apenas uma criança sensível.
“Ouvi o Fábio dizer que você passou bem esses anos, conseguiu um emprego respeitável e ainda encontrou um namorado rico e influente.”
Marco falou com serenidade, acariciando suavemente o cabelo da filha mais nova: “Você sempre pediu ao Fábio para nos trazer dinheiro todo mês, recebemos tudo. Obrigado.”
Aquele “obrigado” apagou a última centelha de calor no coração de Samara.
Ela respirou fundo, tentando controlar o coração acelerado: “De qualquer forma, vocês são meus pais, me deram a vida e me criaram. Esse agradecimento pesa demais, não posso aceitar.”
“Se pode aceitar ou não, ainda assim quero dizer. Você sempre foi tão boa conosco, mas nesses últimos anos, realmente fomos cruéis com você.”
A voz de Marco manteve-se calma: “Estou aqui, em nome da família, para pedir desculpas pelo sofrimento que causamos.”
Antes de vir, Samara já se preparava para receber uma severa bronca de Marco.
Mas jamais imaginou que a situação se desenrolaria assim.
Aquele homem, tão orgulhoso a vida inteira, que certa vez chegou a expulsá-la de casa com um banco, agora se rebaixava para pedir desculpas.

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