Samara rangeu os dentes e disse: “Por que você guardou na memória uma coisa tão inútil por tanto tempo? Você tem algum problema!”
“Foi a nossa primeira vez, como eu poderia esquecer?”
Ele sorriu levemente, enquanto tomava um chá suave, mas as palavras que saíram de sua boca foram inesperadamente ousadas: “Foram exatamente dois dias inteiros.”
“Ernesto!”
Samara, com o rosto corado, atirou o talher nele e ordenou: “Pare de falar, fique quieto!”
“Já está satisfeita?” Ele a olhou com um sorriso enigmático. “Se sim, vamos para casa.”
Samara lhe lançou um olhar fulminante, com a respiração descompassada e o corpo ainda ofegante.
Ele apenas sorriu em silêncio, colocou o casaco sobre os ombros dela e a conduziu para fora, segurando sua mão.
Samara caminhou para fora como se estivesse flutuando.
De fato, foi a primeira vez deles, em um quarto de hotel maior do que o apartamento alugado dela, onde passaram dois dias e uma noite entregues um ao outro.
Sem distinguir o dia da noite, como se estivessem embriagados de paixão.
Ele foi o primeiro homem dela, mas não a deixou desconfortável em nenhum momento; pacientemente a conquistou, passo a passo, levando-a a se entregar completamente, arrastando-a para um abismo sem volta.
No final, quando ela se recostou no peito dele e ouviu seu coração batendo firme, o homem, com a voz rouca, disse: “Daqui para frente, pague sempre dessa forma.”
Assim começou a relação deles.
Naquela época, Samara já sabia que certas coisas, uma vez iniciadas, crescem como cipós indomáveis, entrelaçando-se aos nervos e ao sangue, tornando-se impossíveis de arrancar.
Quando saíram do restaurante, uma rajada de vento frio de outono soprou em cheio, fazendo com que ela se encolhesse instintivamente.
Ernesto a envolveu ainda mais em seus braços e, ao se aproximar do carro para abrir a porta, esta se abriu do lado de dentro.

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