Quando trouxeram a comida, Ernesto pegou os talheres e começou a degustar lentamente, enquanto o aroma se espalhava pelo pequeno reservado.
“Esses camarões do Atlântico estão realmente frescos e macios. Tem certeza de que não quer experimentar um pedaço?” Ernesto fazia questão de comer devagar e ainda soltava suspiros de satisfação.
Samara, sentada à sua frente, permaneceu impassível, com um sorriso frio no rosto: “Na mesa não se fala, na cama não se conversa. Essa etiqueta à mesa foi você mesmo que me ensinou, já esqueceu? Quase quarenta anos e já ficando esquecido, não deveria ser assim!”
Ela falava de propósito para provocá-lo.
Samara sabia que, para qualquer pessoa, homem ou mulher, a idade era sempre um ponto sensível.
Do lado de fora, Quirino ouvia tudo, as veias pulsando na testa e o coração quase saltando do peito.
No entanto, Ernesto não se irritou. Apenas pegou um pedaço de quiabo e levou aos lábios.
Samara observou a expressão tranquila dele, até notando um leve sorriso nos olhos.
Achou estranho, pois normalmente, qualquer palavra atravessada que dissesse já o deixaria de mau humor.
Naquele dia, porém, ele não se mostrava nem um pouco irritado.
Seria isso o tal “alívio” de que falavam depois dos acontecimentos?
“Falando nisso, meu aniversário está chegando.”
Ele apoiou o queixo com leveza e sorriu para ela: “Já preparou meu presente?”
Ele sabia muito bem a resposta, mas perguntou assim mesmo.
Sabia que Samara já planejava deixá-lo; ela mal tinha tempo para pensar em fuga, quanto mais em presente de aniversário.
“Claro que sim.”
Samara sorriu para ele, com um ar travesso: “Estou preparando minha partida, fugindo com o Fábio. Só que, infelizmente, você descobriu essa surpresa antes da hora.”

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