No horizonte, a última nuvem tingida de cor também perdeu seu brilho gradualmente, enquanto o vento entre as montanhas uivava, levantando uma camada de folhas afiadas como lâminas.
Samara não soube por quanto tempo chorou, até que as lágrimas se esgotaram.
Ela ergueu o olhar, ansiosa enquanto aguardava a ambulância, mas percebeu que, nas profundezas da mata, havia uma silhueta alta e escura.
Não conseguiu distinguir o rosto, tampouco o gênero.
Simplesmente permaneceu, silenciosa, sob uma árvore, fitando em sua direção.
Quem estaria ali?
Instintivamente, Samara semicerrara os olhos para enxergar melhor, mas a figura já havia desaparecido.
*
Sentada na ambulância do 192, o médico já havia tomado as medidas emergenciais para sua mãe. Felizmente, ela não havia batido a parte de trás da cabeça, mas poderia ter sofrido uma leve concussão. Seria necessário realizar uma tomografia computadorizada para avaliação detalhada.
Samara, com o olhar vazio, permaneceu sentada no veículo, segurando com força a mão da mãe.
O médico ao lado perguntou: “Senhorita, deseja ligar para algum familiar?”
Família...
Samara lentamente desviou o olhar perdido, pegou o celular e procurou entre os contatos, detendo-se no nome de Ernesto.
Mordeu levemente os lábios, com os pensamentos dispersos e, tremendo, ainda assim discou o número.
Antes, não importava o tamanho do problema, Samara sempre se acostumara a tê-lo por perto.
Ela mesma não sabia por quê; mesmo tendo decidido, desta vez, que iria embora, não conseguiu evitar e ligou para ele...
Samara logo percebeu o quão tola fora essa atitude.
Quando tentou encerrar a ligação, a chamada foi atendida.
“Alô, boa noite.”
A voz suave de Geovana soou do outro lado da linha.

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