Mas Samara não se importou se ele estava ou não com raiva. Apenas massageou o pulso dolorido onde ele a havia apertado, virou-se e entrou no carro, partindo rapidamente.
O carro circulou sem rumo por algumas ruas da Cidade do Paradoxo e, por fim, parou no cemitério.
Sempre que sentia o coração inquieto, apenas o lugar onde repousava seu irmão trazia a Samara um instante de paz.
Ela comprou um buquê de flores ali perto e, com aquela foto nas mãos, caminhou pelo caminho sombreado de árvores já tão conhecido. No entanto, percebeu que já havia alguém diante do túmulo de seu irmão.
Era uma senhora com os cabelos parcialmente grisalhos, que, sob o vento frio e intenso do entardecer, vestia apenas um agasalho fino. Ela estava ajoelhada, acariciando a imagem do irmão de Samara gravada na lápide, murmurando palavras inaudíveis.
Samara parou de repente, ficando ali, sem conseguir avançar mais.
Depois de alguns segundos de hesitação, Samara ainda chamou em voz baixa: “Mãe.”
A mulher se sobressaltou, depois levantou o olhar lentamente, voltando-se para Samara.
Seus olhos, vermelhos de tanto chorar, logo se encheram de raiva. Ela se levantou desajeitadamente do chão.
“O que você está fazendo aqui? Ainda tem coragem de aparecer neste lugar?”
Viviana Castilho questionou com voz dura, cheia de ódio no olhar. “Valentino não gostaria de ver você. Ingrata, azarada, foi você quem trouxe desgraça ao seu irmão, saia daqui!”
Essas palavras eram sempre lançadas a qualquer membro da família Vieira. O coração de Samara, em outros tempos, já havia se tornado uma fortaleza.
No entanto, naquele momento, depois de tantos anos sem ouvir tais palavras, seu coração se mostrou mais frágil do que nunca.
Um gosto amargo subiu-lhe ao nariz, mas Samara se afastou vagarosamente, encarando o olhar furioso da mãe: “Este é meu irmão. Por que eu não poderia vir aqui?”
Ao se abaixar para colocar as flores, Viviana deu um chute forte no buquê, jogando-o para o lado.
As pétalas brancas rolaram ao vento, se espalhando partidas pelo chão.
Junto delas, se partiu também o pouco de laço que ainda unia mãe e filha.

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