“Se fosse realmente para paquerar homens bonitos, como eu poderia não te contar?” Lavínia não conteve um leve sorriso nos lábios.
“Saí porque uma amiga minha, que é estilista, inaugurou uma loja nova. Como hoje eu estava livre, resolvi passar lá para dar uma olhada e prestigiar. Você quer ir comigo?”
“Por que não falou antes? Já marquei de sair para passear no campo hoje com outras pessoas. E agora, o que faço? Quer que eu desmarque aqui e vá te acompanhar?”
“Não precisa, aproveite o seu passeio, eu cuido dos meus compromissos. Na próxima vez, quando tivermos tempo, nos encontramos.”
“Então... tá bom.”
Lavínia encerrou a ligação e dirigiu-se ao shopping onde Maíra havia aberto a nova loja.
A loja trabalhava com alta costura, atendendo especialmente senhoras da sociedade e jovens herdeiras. A decoração chamava atenção pelo luxo e sofisticação.
Com um olhar admirado, Lavínia observou tudo ao seu redor enquanto adentrava a loja.
Maíra estava com um senso estético cada vez melhor, e Lavínia se sentiu realmente feliz por ela.
Assim que Lavínia cruzou a porta, soou o aviso de boas-vindas dentro da loja.
A vendedora que estava no balcão reagiu imediatamente ao ouvir o som, adotando um sorriso profissional no rosto.
“Seja—”
Mal pronunciou a primeira sílaba, ao ver Lavínia vestida de maneira casual, o sorriso sumiu por completo e a atitude tornou-se fria.
“Olá, fique à vontade para olhar.”
Logo em seguida, voltou ao balcão e não demonstrou interesse algum em atender Lavínia.
Lavínia percebeu o olhar preconceituoso da vendedora, mas, por ser a loja de Maíra, preferiu não se aborrecer. Apenas lançou um olhar de soslaio, começando a olhar as peças por conta própria.
Enquanto observava tudo, de repente avistou em um canto um vestido de design singular.
Lavínia interrompeu o movimento, enquanto a vendedora já se posicionava na frente do vestido, protegendo-o, e a olhava de cima a baixo com desprezo.
“Esse vestido é uma peça exclusiva, existe apenas uma no mundo, vale mais de um milhão e seiscentos mil. Se você danificar, tem condições de pagar?”
Lavínia esboçou um leve sorriso, mas seus olhos refletiam sarcasmo.
“Você nem me mostrou o vestido ainda e já concluiu que não posso pagar? Por acaso tem visão de raio-x?”
A vendedora lançou outro olhar de desdém.
“Eu não tenho visão de raio-x, mas com esses meus olhos já consigo reconhecer quem não tem dinheiro. Pelo seu jeito de se vestir, não parece alguém que possa pagar mais de um milhão e seiscentos mil. Aliás, duvido que tenha até cem mil. Sendo assim, por que eu perderia tempo com você?”
Lavínia balançou a cabeça, encarando a vendedora com ironia.
“A sua chefe sabe que as vendedoras da loja julgam os clientes pela aparência?”

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