Roberto nem sequer voltou a cabeça, apenas parou por um instante antes de seguir adiante, caminhando diretamente para fora.
Leonardo desviou o olhar de Roberto e, olhando para Lavínia, perguntou em voz baixa: “Por que ele está aqui?”
“Essa história é longa, nem sei por onde começar.” Ao lembrar do que Roberto lhe dissera e questionara no elevador, Lavínia não pôde evitar que uma pontada de irritação surgisse em seu olhar.
“Enfim, não vou mais ter nenhum contato com ele. Só de vê-lo já me incomoda!”
Leonardo percebeu que Lavínia não queria falar sobre o assunto e não insistiu mais.
“Se te incomoda, então não falemos mais dele. Ouvi dizer que abriu um novo restaurante de comida caseira no norte da cidade com uma comida excelente. Vamos juntos experimentar, aproveitar para espairecer e mandar embora todo esse mau humor.”
As palavras atenciosas de Leonardo trouxeram um calor súbito ao peito de Lavínia.
“Ótima ideia, estou mesmo precisando de uma comida saborosa para aliviar meu mau humor. Assim que eu terminar de arrumar minhas coisas, nós vamos.”
Leonardo viu Lavínia correndo apressada em direção ao escritório e um sorriso carinhoso apareceu em seu rosto, enquanto a alertava com voz suave: “Temos muito tempo, vá com calma, não precisa se apressar.”
No Maybach de edição limitada, Roberto recostou-se no banco com o rosto sombrio, envolto por uma aura fria e opressora.
Vítor ficou tão assustado que mal ousava respirar, mantendo as mãos rígidas sobre o volante, sem se mover.
Naquele momento, um Bentley passou ao lado do Maybach.
Pela janela meio aberta, era possível ver quem estava dentro do carro: ninguém menos que Lavínia e Leonardo.
Os dois conversavam e riam, parecendo muito próximos.
Roberto fixou o olhar na direção por onde o Bentley se afastava, e seu olhar tornou-se ainda mais sombrio.
“Vítor.”
A voz fria e profunda soou como um presságio, fazendo Vítor estremecer involuntariamente.
“Senhor Lourenço, deseja algo?”
Na época em que Lavínia ainda não havia se casado com a família Lourenço, Maíra passara um tempo ao seu lado aprendendo design.
Porém, desde que se casou com a família Lourenço, Lavínia não mantivera mais contato com Maíra.
Pensando agora, o tempo realmente passara rápido. Aquela menina inexperiente em design já tinha agora competência para abrir sua própria loja.
E ainda por cima, o endereço da loja ficava perto dali, uma ótima oportunidade para visitar e dar uma surpresa para Maíra.
Com esse pensamento, Lavínia largou a tigela de frutas e subiu para o quarto, trocou de roupa e saiu.
Mas, logo ao chegar à porta, o celular que estava em sua bolsa começou a tocar.
Ao pegar o aparelho, viu que era uma ligação de Betina.
Atendeu imediatamente, caminhando em direção à garagem enquanto perguntava: “Betina, o que houve?”
Do outro lado, ao ouvir o som das chaves destravando o carro, Betina perguntou curiosa: “Você vai sair de carro? Normalmente, nos finais de semana você não fica em casa? O que houve hoje para te animar a sair? Não me diga que vai sair escondida para paquerar algum bonitão?”

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