O rosto de Rosangela apresentava um tom sutilmente azulado, enquanto ela reprimia a fúria que lhe subia ao peito e recorria mais uma vez à provocação.
“Diga diretamente: você tem coragem ou não?”
Lavínia lançou um olhar preguiçoso e oblíquo para Rosangela, arqueando levemente as sobrancelhas, numa postura relaxada.
“Já que você insiste tanto para que eu vá, então vou lhe fazer esse favor e ir com você. Não tenho alternativa, afinal, sou muito generosa.”
Dizendo isso, ela se adiantou em direção ao corredor.
Rosangela a acompanhou, sentindo os dentes quase se partirem de tanta raiva.
Afinal, fora ela quem procurara Lavínia, querendo mostrar-lhe quem mandava. Por que, então, parecia agora estar sendo conduzida por ela?
No corredor.
Lavínia se encostou de lado na parede, seus belos olhos límpidos percorrendo Rosangela rapidamente.
“Fale logo, para que me chamou aqui?”
Rosangela virou-se de lado, tirou um cartão da bolsa e foi direto ao ponto, sem rodeios.
“Se você prometer ficar longe de Arnaldo e nunca mais aparecer na frente dele, eu lhe dou trinta milhões.”
“Trinta milhões?”
“Exatamente, trinta milhões. Não está animada? Afinal, é uma quantia que você não conseguiria nem em várias vidas.”
Lavínia arrancou o cartão da mão de Rosangela e esboçou um leve sorriso nos lábios.
Quando Rosangela pensou que ela aceitaria a proposta, Lavínia de repente levantou a mão e passou o cartão no rosto de Rosangela.
Na época, ela estava totalmente apaixonada e decidiu, de qualquer maneira, casar-se com Roberto. Sem alternativas, sua família cedeu, mas fez um acordo com ela.
Disseram que, se ela conseguisse fazer com que Roberto se apaixonasse por ela sem qualquer apoio de origem, a família lhe daria suporte.
Por isso, a identidade falsa que a família lhe deu era a de uma garota comum, vinda do interior.
Assim, agora, aos olhos de todos, ela parecia realmente muito comum — a tal ponto que até uma atriz de terceira categoria se sentia no direito de pisar nela.
Lavínia curvou os lábios e, de repente, seu olhar se encheu de uma frieza cortante ao se inclinar em direção a Rosangela.
“Você saiu de casa sem escovar os dentes? Como pode ter a boca tão fétida? E mais: alguém do interior te ofendeu? Só sabe repetir ‘caipira, caipira’. Você acha que é tão nobre assim? Ao rebaixar os outros, sua mentalidade e sua expressão vil são de nível tão baixo, que até uma barata do esgoto parece mais apresentável!”
O rosto de Rosangela alternava entre tons pálidos e esverdeados, numa expressão absolutamente feia, enquanto seus dentes rangiam de fúria.
“Não pode simplesmente falar? Por que partir para ataques pessoais?”

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