Lavínia, na verdade, tinha escutado claramente o que Arnaldo dissera, mas fingiu não ter entendido.
“O que você falou?”
Arnaldo conteve a tristeza que surgiu em seu olhar e, fingindo indiferença, balançou a cabeça.
“Nada, não. Vou te levar para comer alguma coisa, lá dentro tem algumas sobremesas preparadas por um chef cinco estrelas, o sabor está excelente.”
Ao perceber que Arnaldo evitara o assunto, Lavínia sentiu-se um pouco aliviada.
“Tudo bem, já que você está recomendando tanto, é claro que vou experimentar.”
O sorriso retornou ao rosto de Arnaldo. “Sim, tenho certeza de que você vai gostar.”
Os dois seguiram até a área de buffet para pegar sobremesas, enquanto, atrás deles, o olhar carregado de inveja de Rosangela permanecia fixo em sua direção, como uma sombra constante.
Loreta, ao presenciar essa cena, virou-se e notou a expressão carregada de Rosangela, não podendo evitar de perguntar: “Rosangela, Arnaldo parece tratar ela muito bem, o que devemos fazer agora?”
“Uma mulher sem status nem conexões, ao se aproximar do Arnaldo, obviamente só está interessada no dinheiro e na posição dele. Então vamos dar a ela o que quer. Assim, ela vai perceber sozinha que é melhor se afastar do Arnaldo.”
“Mas ela é diretora de uma empresa de design, será que precisa de dinheiro?”
Rosangela curvou os lábios, e um traço de sarcasmo surgiu em seu olhar.
“Já pesquisei. Aquela empresa de design dela é insignificante, sem nenhum destaque. Mesmo sendo diretora, ela não ganha muito. Se oferecermos alguns milhões para mantê-la interessada, com certeza ela vai morder a isca.”
Loreta refletiu um pouco e acabou concordando com a lógica.
“Então, vou ficar de olho nela. Assim que o Arnaldo se afastar, te aviso imediatamente.”
“Sim, fique atenta e não perca a melhor oportunidade.” Rosangela lançou um olhar sombrio na direção de Lavínia.
Da última vez, aquela mulher teve sorte de escapar, mas agora Rosangela não pretendia ser tão complacente. Precisava resolvê-la o quanto antes, para que não atrapalhasse seus planos com Arnaldo.
Rosangela soltou um leve resmungo pelo nariz.
“É claro que tenho. Se não tivesse, acha que viria te procurar?”
O tom era tudo menos amigável. Lavínia colocou o prato sobre a mesa, cruzou os braços e olhou friamente para Rosangela.
“O que foi? Sra. Figueiredo, depois de tentar me difamar da última vez não conseguiu. Agora pensou em algum truque novo para me prejudicar?”
Rosangela ouviu-a mencionar diretamente o episódio anterior, mas não demonstrou constrangimento; manteve a expressão fria e se aproximou de Lavínia.
“Quer dizer então que não tem coragem de conversar comigo no corredor?”
Lavínia soltou uma risada breve, lançando-lhe um olhar de desprezo.
“Você realmente acha que esse tipo de provocação infantil funciona comigo?”

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