A batida na porta do seu quarto o fez franzir a testa. De pé em frente ao espelho, Lancelot se olhou uma última vez.
"Vista-se apropriadamente", sua mãe havia dito. Ele só podia esperar que seu traje de calça branca e uma camisa de manga comprida verde militar fosse apropriado o suficiente para sua querida mãe... E para lady Marion.
As mechas loiras ele penteava para trás da cabeça, ele sabia o quanto sua mãe odiava ver seu cabelo voar por todo o rosto. Não que ele se importasse com isso, mas uma das sombras de Madeline sobre etiqueta, vestimenta e boas maneiras era a última coisa de que Lancelot precisava essa noite.
Ele ouviu mais uma batida na porta do seu quarto. Dessa vez, ele suspirou fundo e caminhou até a porta. Alguém devia estar chamando ele para a sala de jantar. Ele não podia acreditar que já eram 19h.
Quando ele abriu a grande porta de madeira, o mordomo Lee estava na frente dele. Um sorriso afetado no rosto do velho, que Lancelot não poderia confundir com qualquer outra coisa: o velho o estava provocando.
"Pela deusa! Você está absolutamente deslumbrante", Lee disse, sorrindo enquanto se curvava em cortesia a Lancelot.
O jovem riu e suspirou fundo. Lee sempre teve jeito com suas palavras e gestos que fazia qualquer um rir: incluindo Lancelot e sua mãe.
"Ah, por favor, Lee. Eu agradeceria se você desistisse do título. Isso faz com que eu me sinta mais velho do que deveria".
"Ah! Mas você é velho, jovem mestre..."
Em sua declaração, Lancelot levantou uma sobrancelha em questão. Foi também um sinal para Lee de que o jovem entendeu corretamente seu trocadilho. Encantado, Lee sorriu.
"Sei como isso soa, e devo dizer que foi puramente minha intenção. Além disso, a viúva teria minha cabeça pendurada no fio de uma espada se alguma vez me pegasse chamando você pelo seu nome".
Lancelot abriu a boca para dizer alguma coisa, mas Lee foi mais rápido.
"Falando em cabeças. A Luna me pediu para conduzi-lo até a sala de jantar, ou então, a única cabeça perdida seria a sua. Todos estão sentados na mesa, esperando por você".
Lancelot lutou contra a vontade de revirar os olhos.
Claro que todos estavam esperando por ele: todos que ele não queria ver.
Lancelot suspirou fundo. O olhar de Lee mostravam preocupação por ele. Lee sempre se preocupou muito com Lancelot, desde criança. Para ele, o menino não merecia a tragédia que a vida o deixou sobre ele. Desde a infância, tudo o que o menino fazia era sofrer.
Ele sabia que Lancelot não estava feliz com tudo aquilo, ele apenas se perguntava quando a infelicidade do menino terminaria. Só agora que ele estava falando com ele que viu o menino sorrir, ou rir. Todas as vezes e com todas as outras pessoas, ele era frio e duro como um diamante.
"Todos?"
"Cada membro de sua família. Vamos, jovem mestre, não podemos deixar sua mãe esperando".
Silenciosamente, Lancelot seguiu o mordomo. Ao se aproximar da porta do local onde todos estavam, seu coração se apertou e seus olhos escureceram. Ele havia assumido sua aura mortal e hostil novamente.
Lancelot entrou dentro da grande e luxuosa sala de jantar, antes de parar para olhar em volta.
Lee não estava blefando. Todas as pessoas da sua família estavam naquela mesa. A longa e retangular mesa de jantar tinha doze lugares dispostos ao seu redor. Onze dessas cadeiras foram preenchidas. Os olhos escuros avistaram o último assento vazio ao lado de Ava.
Ele tentou não fazer cara feia. Isso só poderia ter sido feito pela sua mãe.
"Irmão!", Arthur, o último filho de Edward Dankworth e o segundo irmão mais novo de Lancelot, gritou ao vê-lo. A empolgação em sua voz fez com que todos na mesa ficassem em silêncio. Todos os olhares se voltaram para a porta onde Lancelot estava parado, as mãos dentro dos dois bolsos da calça.
Lancelot ficou parado, permitindo que todos olhassem para a sua aparência. Pela primeira vez, Lancelot queria desaparecer para que todos pudessem deixá-lo em paz.
Finalmente, seu pai falou.
"Venha filho, venha se juntar a nós", Edward gritou, um sorriso se espalhando em seu rosto.
Com um suspiro, Lancelot começou a caminhar em direção à mesa.
"Tire as suas mãos dos bolsos agora, jovem. Você não tem um pingo de respeito pelos mais velhos que estão sentados na mesa?", a voz antagônica pertencia a Lady Marion, esposa do falecido Edward II e avó de Lancelot.
Lancelot não disse nada, ele simplesmente fez o que ela queria e acenou com a cabeça em cortesia. Enquanto caminhava para se sentar na única cadeira vazia na sala: entre Ava e Elizabeth, sua prima.
Quando ele puxou a cadeira, os olhos castanhos de Elizabeth se ergueram para encontrar os dele. Seus lábios rosados se curvaram em um sorriso lindo e provocador. Por um segundo, Lancelot pensou ter visto ela corar.
Quando ele se sentou na cadeira, ele se afastou dela e deu a todos ao redor um breve aceno de cabeça.
"Agora, mãe, pegue leve com o menino. Você não tem que ser sempre tão dura com ele", a voz feminina que falou pertencia a sua mãe.
Lancelot ficou surpreso por sua mãe ter o defendido. Mas então, quando era para ficar contra Lady Marion, sua mãe podia lutar por qualquer um, apenas para irritar a mulher mais velha.
Lady Marion debochou, com o nariz empinado enquanto se virava para o filho.
Lancelot notou o banquete na mesa. As melhores carnes, frango e porco, arroz e cevada, sopas e molhos, purê de batatas, repolhos bem cozidos e as melhores garrafas de vinho foram colocadas em posições estratégicas na mesa. Cada pessoa tinha um prato e todos os utensílios necessários à sua frente.
"Esse jantar está sendo o maior jantar em família que eu já fui", Bailey, o irmão mais novo de Madeline, foi o próximo a falar. De todos os seus tios, Bailey era o favorito de Lancelot. O homem sempre teve seu próprio jeito de acabar com situações muito constrangedoras.
"Sim, tia", foi a vez da bela Elizabeth falar agora, "Estamos comemorando alguma coisa especial?"
Murmúrios irromperam ao redor da mesa. Lancelot não disse nada, colocou vinho tinto em um copo e bebeu em silêncio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Meu Príncipe, Meu Alfa
Esse não está concluído, tem mais atualização?...