Ela estava deitada na cama, com os olhos fechados. Desde que voltou para casa depois de levar pontos na testa, estava sendo impossível fazer qualquer outra coisa. A sua cabeça continuava doendo muito, era irritante o quão incapacitada isso a fazia se sentir.
Roxanne se escondeu debaixo da coberta ao ouvir a porta do seu quarto abrir e fechar. Ela fechou os olhos rapidamente, para que quem entrasse não visse que ela estava chorando. Não que mais alguém fosse ao seu quarto além de Emily, a mulher era tudo o que lhe restava no mundo.
"Você está bem, minha neném?", Emily perguntou, colocando uma bandeja com uma xícara de café e dois sanduíches no banquinho ao lado da cama de Roxanne.
Roxanne não estava conseguindo falar, então ela deu um leve aceno de cabeça, afirmando que sim.
Emily se abaixou e se sentou na beirada da cama. Ela passou os dedos pelo curativo que estava enrolado na cabeça da amiga.
Quando ela olhou nos olhos opacos de Roxanne, ela pôde perceber que sua amiga estava chorando. Os olhos de Emily se suavizaram quando ela deu um beijo na testa de Roxanne.
"Roxy. Você precisa parar de fazer isso consigo mesma. Têm que parar de chorar escondida, isso tudo o que você está fazendo não está te fazendo bem".
As lágrimas começaram a cair dos olhos de Roxanne sem parar. Por que tudo na vida dela tinha que ser tão caótico?
Desde que perdeu o emprego, ela se viu pulando de uma tragédia para outra. E as pessoas que ela achava que poderia apoiar a decepcionaram.
Agora, a única pessoa que ela tinha ao seu lado era sua melhor amiga. Mesmo com isso, ela sentiu como se tivesse desandando a cada dia que se passava. Desde o acidente... não, a tola tentativa de assassinato de Rayla contra Roxanne, Emily ficava em casa para cuidar dela. Roxanne não queria isso, ela odiava se sentir tão impotente.
"Eu não sei mais o que fazer Emily. Tudo está me deixando deprimida. Eu sinto que nem sei mais o que eu estou fazendo da minha vida. Eu estou me sentindo perdida, e sozinha..."
"Isso não é verdade, bebê", Emily a interrompeu, colocando as mãos nas de Roxanne.
"Você sabe que eu sempre estarei aqui pra te ajudar no que você precisar", Emily continuou.
"E esse é o problema Emily! Você está sempre aqui pra mim...", Roxanne reuniu o que restava de sua energia e se sentou na cama. Ela encostou as costas na cabeceira da cama, os olhos marejados fixos no rosto de sua melhor amiga.
"Você faz tudo o que pode por mim, Emily. E o que eu faço? Toda vez que acontece algo ruim comigo, espero que você esteja disponível pra me ajudar. Você não trabalha há dois dias e isso é tudo por minha causa..."
"Essas são as vantagens de ser seu próprio patrão", Emily a interrompeu, com um sorriso no rosto. Ela esperava que isso fizesse Roxanne sorrir. Ela odiava ver sua amiga daquela forma.
Roxanne parou, ela não pôde conter o leve sorriso que surgiu em seus lábios. Ao olhar para Emily, ela observou o belo rosto de sua amiga.
Cachos grossos que caíam por todo o seu rosto, até o topo das sobrancelhas, olhos castanhos, lábios rosados exuberantes e um sorriso lindo e brilhante. Emily ainda era a mulher mais bonita que Roxanne já tinha visto na vida. Talvez, apenas talvez, se ela fosse lésbica como Isabelle, não hesitaria em se casar com Emily. Ela era tudo que alguém poderia precisar na vida.
"Você está sempre tão ocupada, Emily. Se você não está trabalhando, você está cuidando de mim e de todos os meus problemas, se você não está fazendo isso, você está trabalhando de novo".
Emily riu. Ela sabia que Roxanne estava certa, mas não tinha nenhum problema com isso. Antes de qualquer outra coisa, Roxanne sempre seria sua prioridade número um.
Ao contrário de Roxanne, Emily nunca foi fã do amor, nunca quis se casar ou ter uma família com um marido, ser esposa e ter filhos. Ou talvez a artista nela nunca tivesse permitido que seu espírito livre se acomodasse para alguém. Roxanne era a única amiga que ela tinha e faria tudo o que fosse humanamente possível para cuidar dela.
"Você tem estado tão ocupada tentando resolver meus problemas amorosos que nunca teve a chance de ter um relacionamento com alguém".
Emily não pôde evitar de soltar uma risada. Os olhos de Roxanne se estreitaram em aborrecimento.
"Isso não é engraçado, Emily".
"Ah, mas é assim que demostro o meu amor por você. Ei, você sabe que eu nunca fui fã do amor ou seja lá como vocês chamam isso. Eu sou minha própria mulher, adoro manter tudo assim. Agora, basta olhar pra toda a dor que Jonah causou a você. Sinto muito, querida, mas você e eu sabemos que se isso acontecesse comigo, ele e Rayla estariam abaixo da terra com um metro e oitenta de profundidade agora, e minha b*nda preta e grande estaria aquecendo os bancos de uma m*ldita cela de prisão".
Emily fez questão de demostrar toda sua raiva em seu olhar. Só de pensar em tudo o que Roxanne havia passado no último mês, ela fervia por dentro. Ela não podia imaginar a dor que ela estava sentindo. Isso só aconteceu com ela uma vez: foi com sua mãe. Desde então, ela se afastou das questões do coração. E estava funcionando perfeitamente para ela.
"A vida é apenas um saco cheio de m*rda de cavalo", Emily murmurou, balançando a cabeça enquanto olhava para Roxanne que estava sorrindo.
"Por quê di*bos você está sorrindo pra mim assim?", perguntou Emily.
Roxanne não disse nada, ela simplesmente balançou a cabeça e continuou a sorrir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Meu Príncipe, Meu Alfa
Esse não está concluído, tem mais atualização?...