Délio conduziu pessoalmente Noemia até o quarto do hospital, enquanto Loreta, satisfeita em silêncio, não entrou junto.
Esperava-se que os dois conversassem por um bom tempo, mas, para surpresa de todos, Délio permaneceu apenas alguns minutos antes de se preparar para sair.
Noemia tentou retê-lo, segurando firmemente a manga de sua camisa, relutante em deixá-lo partir.
Délio manteve-se indiferente, usando assuntos da empresa como desculpa, e soltou a mão dela.
“Cuide-se e recupere-se bem. Quando eu tiver tempo, voltarei para vê-la.”
Noemia observou as costas de Délio enquanto ele se afastava e lágrimas silenciosas escorreram por seu rosto.
“Você ainda não quer me perdoar, não é?”
Sua voz tremia um pouco, carregando um duplo sentido.
Referia-se tanto ao fato de ter saído impulsivamente anos atrás quanto ao recente episódio ocorrido na família Alcantara.
Desde então, a atitude de Délio para com ela mudou radicalmente, tornando-se cada vez mais fria e distante.
Noemia sentiu-se ansiosa e insegura, temendo que Délio rompesse de vez com ela.
“Me desculpe, estou lhe pedindo perdão. Sei que errei e me arrependo muito. Por favor, me dê uma chance. Não me ignore, sem você minha vida não tem sentido; viver assim é pior do que morrer.”
Ao ouvir isso, Délio parou, permanecendo junto à porta.
Seu semblante era frio. Ele virou levemente a cabeça, lançando um olhar de soslaio para o leito, sem se virar completamente.
“Não diga besteiras, nem pense nisso. Agora, o mais importante é você cuidar da sua saúde. O resto não importa.”
“Não, para mim, você é mais importante que a saúde. Posso perder tudo, menos você”, Noemia declarou com emoção, ansiosa por expressar seus sentimentos. “Porque eu te amo.”
Délio se mostrou comovido; uma sombra passou por seus olhos.
No instante em que fechou e tornou a abrir os olhos, ele de repente recobrou a consciência.
A lembrança de quatro anos atrás, quando correu ao aeroporto para tentar impedir a partida de Noemia, veio-lhe nitidamente à mente.
Após um breve momento, Délio esboçou um sorriso frio e autodepreciativo. Não disse nada, fechou a porta e deixou o quarto.
……
Com a persistente e paciente persuasão de Kellen, Vitória concordou em colaborar com o tratamento hospitalar, deixando de resistir e de criar problemas.
Délio desligou o telefone.
“...” Kellen não sabia o que pensar, se ele viria ou não. Guardou o celular, impaciente, e ficou esperando no mesmo lugar.
Logo, o silêncio do estacionamento foi rompido pelo som dos passos de Délio, firmes e decididos, como se pisassem diretamente em seu coração.
Kellen virou-se e seu olhar encontrou o de Délio, profundo e escuro, cruzando-se de imediato.
Ele caminhou em sua direção, passo a passo, com expressão enigmática, diminuindo cada vez mais a distância entre eles.
O olhar intenso do homem a deixou desconfortável. Kellen desviou os olhos, respirou fundo para tentar se acalmar.
“Num estacionamento tão grande, precisava mesmo parar o carro na frente do carro dos outros?” Kellen quase disse que era falta de educação, mas se conteve.
Délio olhou para ela e disse sem hesitar: “Quis ficar mais perto de você.”
Kellen, ao ouvir isso, quase perdeu a paciência, olhando para Délio com desdém e respondeu sem rodeios:
“Eu não quero.”

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