Kellen mal conseguia abrir os olhos de tanto sono, sentindo-se atordoada, sem distinguir se estava na realidade ou em um sonho, tampouco sabia se havia mais prazer ou mais dor.
Só quando o beijo do homem pousou em seu ventre liso, a sensação formigante e arrebatadora tornou-se cada vez mais nítida.
Ela finalmente reagiu, franzindo a testa e emitindo um leve murmúrio, tentando instintivamente empurrar quem estava sobre seu corpo.
Délio segurou a mão de Kellen, entrelaçando os dedos com os dela.
“Fique quieta, não se mexa.”
Ele abaixou a cabeça e continuou a beijá-la, percorrendo com delicadeza cada centímetro de sua pele, deixando marcas de desejo.
Kellen abriu os olhos de repente, despertando completamente.
Percebeu que não era um sonho, era Délio realmente a beijando.
Sentiu-se furiosa e envergonhada, xingando-o de canalha e tentando chutá-lo.
“Quem te deu permissão para tirar minha roupa, Délio? Você se aproveita das pessoas, que atitude desprezível!”
O clima de intimidade foi interrompido, deixando Délio frustrado e irritado.
Ele já estava há muito tempo sem se aproximar de Kellen, sentindo-se quase doente pela abstinência.
Todas as vezes ela o rejeitava veementemente, recusando-se a aceitá-lo, tratando-o como um inimigo.
Não conseguir conquistar sua própria mulher na cama era a maior derrota para qualquer homem.
“Kellen, não se esqueça do seu papel. Você é minha esposa, e as obrigações conjugais fazem parte do seu dever. Até quando pretende fugir disso?”
Kellen olhou para Délio com raiva; o amor que sentira antes agora se transformara em ódio.
“Se está tão desesperado, procure a Noemia, não venha atrás de mim. Eu não tenho interesse nesse tipo de coisa agora.”
“Não tem interesse?” Délio pareceu ouvir uma piada absurda, enquanto seus olhos escureciam com um desejo indiferente. Ele soprou levemente no ouvido de Kellen, mordiscando sua orelha.
“Não acredito.” O maxilar de Délio ficou tenso.
Ele não acreditava que Kellen havia deixado de amá-lo; conhecia melhor que ninguém o quanto ela o amava.
Os olhos de Kellen se encheram de lágrimas; ela não sabia se ria ou chorava, sentindo um vazio doloroso no peito, até respirar doía.
“Se acredita ou não, não faz diferença, não muda minha decisão. Amar você foi uma experiência dolorosa, não vou mais ser tola como antes, não quero sofrer para sempre. Por favor, me deixe em paz.”
O peito de Délio apertou de repente, a respiração tornou-se difícil e seu olhar escureceu, tomado por uma insegurança inédita.
“É por causa da Noemia, não é?”
Kellen permaneceu em silêncio, desviando o olhar.
Délio a abraçou suavemente, tentando se explicar. “Já te disse tantas vezes, meu relacionamento com ela não é como você pensa. Entre eu e ela, eu... nunca sequer a toquei.”

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