Délio havia ficado absorto, encarando o rosto de Vitória, e quanto mais olhava, mais achava que ela se parecia com Ivana quando era criança.
Como poderia ser tão parecida, era realmente impressionante.
Será que...
Em sua mente surgiu uma suspeita ousada, mas logo percebeu que não fazia sentido.
Apesar de Vitória ter traços muito semelhantes aos de Ivana, ela definitivamente não poderia ser filha de Ivana. Délio tinha plena convicção disso, sem qualquer dúvida.
Tendo descartado a possibilidade de ser Ivana, e também de ser ele mesmo, restavam apenas Gerson Guerra e...
Nesse momento, Kellen se aproximou, demonstrando preocupação ao perguntar: “Vitória ainda não acordou, certo?”
Délio teve seus pensamentos interrompidos.
“Não acordou.”
Ele então voltou o olhar lentamente para Kellen, seus olhos escuros pareciam tão profundos quanto o mar.
“Além do nome dela ser Vitória, o que mais você sabe? Conte-me.”
“Está se referindo à origem de Vitória?”
“Sim.”
Kellen balançou a cabeça com resignação. “Se eu soubesse, já teria conseguido entrar em contato com a família dela.”
Délio lembrou que Kellen havia chamado a polícia. “Ainda não teve retorno da delegacia?”
Kellen respondeu: “Ainda não.”
Se a delegacia tivesse encontrado os pais de Vitória, certamente teria avisado imediatamente para que ela levasse Vitória até lá.
“Por que esse interesse repentino?”
Délio permaneceu em silêncio por alguns segundos. “Porque de repente percebi que essa menina se parece muito com Ivana quando era pequena.”
Kellen não se surpreendeu, seu olhar permaneceu sereno.
Ele finalmente percebeu, o que a poupou de ter que dar pistas ou avisos.
“Na verdade, Vitória também lembra um pouco você.”
“Eu?” Délio demonstrou surpresa.
Kellen acenou com a cabeça. “Ivana é sua irmã de sangue, Vitória se parece com Ivana, naturalmente lembra você também.”
Délio franziu a testa e perguntou impulsivamente: “E você acha que Vitória parece com Gerson?”
Na mente de Kellen, passaram rapidamente os traços da família Guerra, especialmente do senhor Gerson.
Eles mal haviam se encontrado algumas vezes, e nunca tiveram contato particular; ela só guardava uma vaga imagem dele.
Depois de pensar seriamente, respondeu: “Não se parece muito.”
“Que bom que não se parece.”
Kellen ficou intrigada. “Por quê?”
“Não quero dormir lá dentro. Me coloque no chão, quero ficar com Vitória aqui fora.”
Délio abaixou o olhar, seu olhar tornou-se mais intenso e sua respiração quente tocou a pele sensível atrás da orelha dela. “Eu preciso mais de você do que ela.”
“Não seja infantil, estou falando sério, não é brincadeira. Me solte logo, não quero discutir com você no meio da noite.” Kellen estava visivelmente irritada, o rosto corado.
“Eu também odeio discutir.”
“Délio!”
“Estou aqui, pode falar o que quiser, mas vamos conversar na cama, ouvirei tudo o que disser.”
Délio colocou Kellen na cama. Quando ela tentou fugir, ele a abraçou por trás, apertando-a firmemente, tornando impossível qualquer tentativa de escapar.
Kellen ainda lutava, sem aceitar, e disse nos braços do homem: “Me solte, não quero dormir com você.”
Délio franziu as sobrancelhas, não gostando daquilo. “Sou seu marido, você só pode dormir comigo.”
Ao ouvir a palavra “marido”, Kellen sentiu uma dor no peito. Esse termo soava tão irônico, ao mesmo tempo familiar e distante, lembrando-a de que estava vivendo um casamento desastroso e fracassado.
Se pudesse voltar quatro anos no tempo e escolher de novo, certamente se afastaria de Délio.
No silêncio da noite, o sono tomou conta de Kellen. Sentindo-se impotente, fechou os olhos, fingindo estar encostada numa árvore.
Atrás dela, Délio dizia algo, mas ela não queria ouvir uma só palavra.
Quando estava quase adormecendo, Kellen de repente sentiu um formigamento suave pelo corpo, como se alguém a beijasse, do pescoço à clavícula, e então ao peito...

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