“Me coloque no chão.”
Kellen abaixou a voz, furiosa, sem querer atrapalhar o descanso das outras pessoas nos quartos do hospital.
Délio ignorou completamente, continuou impassível e seguiu carregando-a nos braços.
Quando já estavam quase chegando ao elevador, Délio não respondeu a nenhuma das palavras de Kellen.
Desesperada, ela mordeu o pescoço dele com força.
Délio franziu a testa de dor, não esperava que Kellen tivesse coragem de mordê-lo. Aquela mulher estava cada vez mais ousada, tudo por causa do tratamento excessivamente tolerante que ele lhe dava.
“Kellen, você por acaso é um cachorro?”
Kellen levantou o olhar, encara WilsonGuerra com teimosia nos olhos, sem demonstrar o menor remorso.
Aquilo tudo era culpa dele, não podia culpá-la.
“Coloque-me no chão agora.”
Délio não cedeu, olhou para ela com um olhar frio e afiado.
Como ele ainda não a soltava, Kellen, desconfiada, decidiu morder novamente o mesmo lugar, dessa vez deixando uma marca de dentes bem visível.
Délio: “……”
Não era verdade que não doía, mas ele manteve o rosto impassível. Queria ver que outros truques Kellen ainda usaria naquele dia.
Kellen sentiu-se um pouco culpada, lançou um olhar furtivo para Délio e viu que ele mantinha o rosto frio, como se não sentisse nada.
“Está se divertindo?” A voz do homem veio por cima, entre os dentes, “Minha querida Sra. Guerra.”
Não era assim que ela imaginava a cena, Kellen ficou frustrada e com dor de cabeça, “Você...”
Normalmente, quando alguém é mordido no pescoço, instintivamente solta o que está segurando, mas Délio não só não a soltou, como a apertou ainda mais nos braços.
Kellen não entendia o que se passava na cabeça dele. Será que ele realmente não sentia dor no pescoço?
Délio percebeu o pensamento dela e resmungou friamente, “Você acha mesmo que assim eu vou te soltar? É muita ingenuidade sua.”
“Délio, por favor, deixa eu ficar para cuidar da Vitória. Ela é realmente muito indefesa.”
Délio franziu o cenho, “Leucemia?”
Ele não esperava que a menina estivesse tão doente, por isso os pais dela não apareciam.
Kellen confirmou com um “sim”, “O médico me contou pessoalmente. Vitória ainda não sabe de nada.”
Délio ficou em silêncio, pensativo.
Kellen não o interrompeu, esperou pacientemente.
Logo, o elevador emitiu um aviso e chegou ao térreo.
Délio saiu carregando Kellen.
Ela percebeu que ele não mudara de ideia, ficou desesperada, assim que saíram do prédio de emergência, começou a se debater com força e a bater em Délio, jogando tudo para o alto.
“Eu já falei tudo o que podia, e mesmo assim você continua insensível. Você é frio demais, eu te odeio, odeio você...”

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