Vitória sentou-se e, com suas pequenas mãos, procurou pelo abajur ao lado da cama e o acendeu.
O quarto ficou iluminado de repente, permitindo que os rostos de todos fossem vistos claramente.
Vitória viu que Kellen ainda estava sendo abraçada por Délio, então levantou-se furiosa sobre a cama, com um olhar severo e ameaçador para ele, apesar de sua voz infantil.
“Você é um grande malvado, solte minha mãe agora, senão vou chamar a polícia, vou ligar para 190 e pedir para o senhor policial te colocar numa jaula.”
Délio franziu o cenho com força, suas pupilas se contraíram violentamente, o coração pareceu ser apertado por mãos de ferro invisíveis e seu rosto ficou pálido, com uma expressão horrível como nunca antes.
“Garotinha, como você a chamou agora?”
“Mãe.” Vitória respondeu com firmeza, sem demonstrar medo algum.
A raiva de Délio subiu à cabeça, as veias das têmporas saltaram, e ele cerrava os dentes, à beira de explodir.
Ele realmente se viu usando um “chapéu verde” daquele tamanho.
Nos olhos de Délio, surgiu um brilho ameaçador de fúria. “Kellen, quando foi que você teve uma filha sem me contar?”
Kellen respondeu sem paciência: “Vitória não é minha filha.”
Délio insistiu, com expressão agressiva, como se fosse devorá-la. “Se não é sua filha, por que ela te chama de mãe?”
Kellen respirou fundo e explicou com paciência: “Recentemente, encontrei uma menina na rua, os pais dela sumiram, e não tive coragem de deixá-la sozinha. Liguei para a polícia e a levei até a delegacia. Essa menina é a Vitória.”
Délio tinha alguma lembrança desse fato, pois naquele dia, por causa da menina, Kellen não conseguiu ir à Quinta da Saudade.
Ele ficou em dúvida. “É verdade?”
“Claro que é verdade. Não tenho motivo para brincar com esse tipo de coisa.” Kellen não quis mais explicar. “Se não acredita, pode ir agora à delegacia averiguar.”
O olhar atento de Délio não deixou escapar nenhum detalhe do rosto dela; a expressão séria e determinada de Kellen não parecia de alguém que mentia.
Parecia realmente um mal-entendido.
Aproveitando a distração de Délio, Kellen se desvencilhou de seus braços e voltou para perto da cama.
“Vitória, não se preocupe, a senhora está bem.”
Vitória se lançou nos braços de Kellen, abraçando-a com força.
“Aquele senhor é muito chato, não tem nenhuma educação.”
“Por que é você quem cuida dela? Não é parente nem conhecida. Por que faz isso? Hoje à noite volte comigo para casa.” Para Délio, Kellen só podia estar completamente fora de si.
Mal terminou de falar, levantou-se e tentou puxá-la para sair.
Kellen não aceitou, soltou-se da mão dele.
“Você poderia não ser tão insensível? Vitória é só uma criança, tem apenas três anos, está doente, internada, sem ninguém para cuidar. Você consegue ser tão cruel?”
“Se quiser ir, vá. Eu não vou. Não sou tão fria quanto você.”
Após dizer isso, ela virou-se e se preparou para voltar ao quarto.
Com o rosto fechado, Délio avançou, pegou Kellen no colo sem dizer uma palavra.
“Você é minha esposa, à noite só pode dormir ao meu lado.”
Kellen se debateu, ficando tão irritada que até sentiu dor no estômago.
“Délio, pare de agir como um louco, aqui é um hospital, me coloque no chão agora.”

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