Loreta e Noemia tramaram discretamente no quarto do hospital, sem esconder a expressão maldosa.
“Deus foi justo, permitiu que pegássemos uma falha tão grande da Kellen.”
“Lesão corporal dolosa, além da vida pessoal promíscua... Quero ver como ela vai se reerguer desta vez.”
Noemia, ansiosa, pegou o celular imediatamente.
“Vou ligar agora para o Délio e contar esse segredo para ele.”
Loreta fez um gesto com a mão, interrompendo-a. “Não conte diretamente, vai parecer forçado. Mande o Délio vir ao hospital, deixe-o pegar no flagra lá na emergência, terá um efeito muito melhor.”
Noemia assentiu, obediente, e seguiu o conselho de Loreta. Ela se esforçou para controlar as emoções, discou o número e esperou bastante tempo, mas ninguém atendeu do outro lado.
Inconformada, ela tentou ligar novamente.
Desta vez, Délio rejeitou a ligação imediatamente.
Noemia ficou paralisada por um instante; após o choque inicial, seu rosto logo expressou frustração e desânimo.
Agora nem o telefone dela ele atendia mais.
“O que houve?” perguntou Loreta.
Noemia, sentindo-se injustiçada, respondeu: “Ele desligou. Não quer atender minhas ligações.”
Loreta manteve a calma e consolou a filha: “Talvez Délio esteja ocupado no trabalho e não possa atender agora. Não se preocupe, tente de novo mais tarde.”
Noemia balançou a cabeça, desapontada.
“Mesmo quando estava muito ocupado, até em reunião, ele sempre atendia para me explicar. Nunca foi assim, de desligar sem dizer uma palavra.”
Sua voz saiu fraca, com um tom trêmulo de choro.
“Isso mostra que ele mudou, não gosta mais de mim.”
“Se Délio realmente não sentisse nada por você, ele não teria vindo ao hospital ontem à noite e ficado até de manhã.”
Noemia não era ingênua. “Ele veio por pena, não por amor.”
“Quando uma mulher ainda desperta compaixão em um homem, é sinal de que ele ainda pensa em você. Noemia, você ainda não perdeu. Levante-se e recupere o que é seu.” Loreta procurou animar a filha.
Noemia achou que a mãe falava da situação sem sentir na pele e não conseguia se colocar no lugar dela, só sabia iludi-la com promessas vazias.
“Com meu estado atual, nem consigo andar. Como vou disputar com a Kellen?”
Quanto mais pensava, mais desesperada ficava, até desabar em lágrimas.
Desde a amputação, o estado emocional de Noemia estava extremamente instável. Ela ficava irritada facilmente, explodia por pequenos motivos, chorava compulsivamente e até pensava em suicídio.
Noemia, com os olhos cheios de lágrimas, levantou a cabeça: “Pai, Délio ainda não aceitou as condições da reconciliação?”
Sérgio ficou em silêncio; a expressão grave falava por si.
Noemia finalmente perdeu as esperanças. A ilusão que alimentava foi destruída com aquele tapa.
Em vez de se enganar, preferia se vingar com força.
“Já que Délio não aceita, vamos processar Kellen logo. Quero o melhor advogado para colocar Kellen na cadeia.”
Sérgio falou com dificuldade: “Espere mais um pouco, quem sabe Délio mude de ideia e aceite casar com você.”
Noemia sorriu tristemente.
“Antes de perder a perna, Délio já não queria se casar comigo. Agora, faltando uma perna, ele aceitaria?”
Sérgio ficou sem palavras, como se tivesse um nó na garganta.
Ele sabia como os homens pensam. Se fosse ele, também não se casaria com uma mulher em cadeira de rodas.
Além do constrangimento para a vida íntima, ainda teria vergonha diante de amigos e parentes, nunca mais levantaria a cabeça em público.
Sérgio reconheceu que errou e percebeu o quão irrealista era exigir reconciliação com Délio. Seria melhor ter pedido dinheiro ou participação societária.

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