Escritório de advocacia.
Ezequiel retornou ao escritório, tirou o paletó e se sentou em sua cadeira de trabalho. O assistente bateu na porta e entrou.
“Dr. Marques, todos os documentos que o senhor solicitou ontem já foram classificados, marcados e organizados por mim.”
“Bom trabalho.”
O assistente depositou os papéis sobre a mesa. “Há mais uma coisa.”
Ezequiel levantou o olhar e fitou o assistente. “Diga.”
“Há cinco minutos, o assistente do presidente do Grupo Guerra, Gildo Azevedo, ligou para marcar um jantar com o senhor hoje à noite. Ele mandou um motorista para buscá-lo.”
Ezequiel conhecia a importância do Grupo Guerra em Cidade Atlântico Verde e já ouvira falar da reputação firme e decidida do líder daquela empresa.
Durante todos esses anos, nunca tinha tido contato com o Grupo Guerra; não havia qualquer relação entre eles.
Um convite tão repentino para jantar...
“O tal Gildo mencionou o motivo?”
“Não, não mencionou. Eu imagino que seja algo relacionado a algum processo judicial, algo que não é conveniente discutir por telefone.”
Ezequiel manteve a expressão impassível e seus olhos negros e penetrantes percorreram rapidamente o calendário sobre a mesa.
Naquela noite, ele não tinha nenhum compromisso. Poderia, então, reservar tempo para aquele jantar.
“Entendido. Pode voltar ao trabalho.”
O assistente saiu do escritório e Ezequiel mergulhou em sua rotina, analisando documentos e estudando casos com máxima concentração.
O tempo foi passando, o céu escureceu pouco a pouco e as luzes da cidade começaram a brilhar.
Ezequiel permaneceu absorto no trabalho.
Só saiu de seu transe quando o assistente bateu na porta para avisar que o expediente havia terminado e que o motorista enviado pelo Grupo Guerra já o aguardava na porta do escritório.
Ezequiel conferiu as horas. “Avise ao motorista para aguardar mais dez minutos, preciso terminar de revisar este documento.”
“Certo, vou avisá-lo agora mesmo.”
O assistente fechou a porta com delicadeza, e Ezequiel acelerou o ritmo, concluindo a tarefa dentro do prazo estipulado.
Dez minutos depois, ele se levantou e deixou o escritório.
O motorista já o aguardava havia algum tempo, abriu a porta do carro prontamente. “Dr. Marques, por favor, entre. O senhor Gildo me enviou para buscá-lo.”
“Muito obrigado.”
O carro seguiu pela avenida principal e, em poucos minutos, chegaram ao restaurante.
Ezequiel ouviu com atenção e lançou um olhar rápido sobre os papéis. Quando identificou claramente os nomes das partes envolvidas, não conseguiu disfarçar o breve relance de surpresa em seu olhar.
O mundo era, de fato, pequeno.
Kellen era bem relacionada; tanto Fernando quanto o Grupo Guerra se preocupavam com seu caso e esperavam que Ezequiel a ajudasse a vencer o processo.
“Gildo, por coincidência, esta tarde encontrei a senhora Kellen.”
Gildo compreendeu imediatamente. “Dr. Marques, o senhor quer dizer que...”
“Já acertei tudo com a Sra. França. Ficarei totalmente responsável pelo caso dela.” Ezequiel devolveu os documentos a Gildo ao terminar de falar.
“Não permitirei que ela perca.”
Ezequiel sentiu curiosidade quanto à relação entre o Grupo Guerra e Kellen, mas evitava fazer perguntas sobre assuntos ou pessoas que não tivessem ligação direta com as provas do caso.
Gildo ficou pensativo; não esperava que Kellen fosse tão rápida e já tivesse entrado em contato com Ezequiel antes dele. O Sr. Guerra certamente o questionaria sobre isso depois.
Se não esclarecesse a situação, não teria como prestar contas ao retornar.
“Dr. Marques, permita-me fazer-lhe uma pergunta.”
“Pois não.”
“Gostaria de saber quem apresentou a senhora Kellen a você.” Gildo não se apressou em expor a identidade de Kellen.

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