Kellen decidiu se divorciar, o que representou uma boa notícia para Fernando, mas ele não sentiu nenhum prazer com a desgraça alheia.
Se não fosse pelo rompimento do sentimento, qual mulher desejaria se divorciar? Ainda mais considerando que o casal tinha um filho.
Ao pensar nisso, Fernando lamentou que Kellen tivesse tido o azar de encontrar um homem inadequado.
Sua colega era tão excepcional, e o marido dela parecia completamente cego.
Não era de se estranhar que aquele homem não tivesse acompanhado Kellen à delegacia hoje, nem tivesse ido buscá-la, demonstrando total indiferença.
Mesmo tendo um filho, ele não poderia tê-lo deixado sob os cuidados dos avós por um curto período? Não levaria tanto tempo assim.
Fernando ficou imerso em seus pensamentos, refletindo muito, com sua atenção totalmente voltada para Kellen.
Depois disso, o que Kellen conversou com Ezequiel não chegou a seus ouvidos.
“Dr. Marques, juro por Deus, eu não empurrei Noemia. Embora eu a odiasse, sentisse repulsa, nunca pensei em machucá-la ou desejar sua morte.”
“Entendo o que você quer dizer, mas a lei exige provas.”
Kellen compreendeu esse princípio.
No entanto, até o momento, não havia nenhuma evidência favorável a ela na cadeia de provas, todas eram favoráveis à família Alcantara.
“Dr. Marques, o que devo fazer a seguir? A família Alcantara certamente não retirará a acusação.”
“Deixe o caso comigo, eu cuidarei de tudo. Se precisar da sua colaboração para apresentar algum documento, avisarei com antecedência.”
“Está certo, colaborarei com tudo, obrigada, Dr. Marques.”
“Agradeça quando vencermos o processo.”
Antes de sair da cafeteria, Ezequiel entregou a Kellen um cartão de visitas e ambos trocaram seus contatos.
Em seguida, Ezequiel retornou ao escritório de advocacia, enquanto Kellen e Fernando voltaram para o Oásis Verde.
Nesse mesmo momento.
Sérgio estava negociando com Délio, expondo pessoalmente as condições para a reconciliação.
“Délio, sou homem de palavra. Basta você se casar oficialmente com Noemia e imediatamente retiro o processo, prometo nunca mais tocar no assunto.”
Loreta concordou: “Exatamente, é isso mesmo. Cumprimos o que prometemos.”
Mais do que uma negociação, aquilo era uma ameaça à família Guerra. Délio demonstrou desconforto, com um olhar frio e distante.
No caminho até ali, ele pensou que Sérgio estivesse interessado nas ações do Grupo Guerra.
Délio ficou profundamente tocado.
“Não é que eu não queira você, não entenda mal.”
“Não interpretei mal. Qualquer que seja a sua decisão, não o culparei.”
Sérgio balançou a cabeça, suspirando, colaborando com a cena de impotência e tristeza.
“Noemia, você é sentimental demais, tanto que chega a comover.”
Noemia não respondeu, fechou os olhos e voltou a dormir.
Délio saiu do quarto com sentimentos confusos, e Sérgio e Loreta não o impediram, permitindo que ele fosse embora.
Délio sentou-se no carro, acendeu um cigarro e ficou olhando para frente, inexpressivo.
Se não aceitasse as condições impostas pela família Alcantara, eles não retirariam o processo, então seria necessário garantir que Kellen vencesse o caso.
Se ela perdesse, sua vida toda seria afetada.
Délio pensou que era hora de procurar um bom advogado para defender Kellen e garantir sua vitória.
Segundo ele sabia, o advogado mais renomado do país estava em Cidade Atlântico Verde, onde possuía seu próprio escritório de advocacia, e o nome dele era Ezequiel.

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