— Sem hesitar — respondi com uma clareza cortante. — O que "fomos" não existe mais. Chiara é a futura Senhora Capone. Ela é sagrada. Você é apenas uma funcionária que perdeu a utilidade aqui. Então, sugiro que saia daqui agora, arrume suas coisas e aceite a transferência tranquilamente enquanto ainda tem uma carreira e uma vida.
Elettra engoliu seco, o peito subindo e descendo com força. Ela percebeu que tinha cruzado uma linha da qual não havia retorno. Ela baixou a cabeça, a voz saindo quase em um sussurro.
— Sim, Don. Eu aceito a transferência. E... sinto muito.
— Agora, saia.
Ela girou nos calcanhares e praticamente fugiu do escritório. Assim que a porta se fechou, Cesare soltou um suspiro pesado e caminhou até o centro da sala.
— Elettra era uma das melhores e você sabe disso, Don. Ela trazia lucros altos e sabia lidar com os clientes VIPs como ninguém.
Virei-me para a janela, observando o movimento da rua lá embaixo, a mente já em outra coisa.
— Está questionando minhas decisões, Cesare?
— Não, claro que não — ele respondeu rapidamente. — Apenas lembrando que ela é boa no que faz. Será difícil substituí-la à altura.
— Ela não é a única puta que temos na casa, é? — perguntei, voltando-me para ele com um olhar entediado.
— Não, senhor.
— Então, pare de encher a porra do meu saco e vá trabalhar. Arrume outra tão boa para substituir. Simples assim. O mundo está cheio de mulheres ambiciosas, Cesare. Encontre uma que saiba fechar a boca.
— Sim, senhor. Irei providenciar imediatamente.
Ele saiu, deixando-me sozinho no escritório. Sentei-me novamente, sentindo o peso da responsabilidade sobre meus ombros. Eu sabia que o que fiz com Elettra foi a melhor decisão. Ter Elettra por perto era um risco desnecessário; ela tentaria envenenar a mente de Chiara, tentaria criar intrigas para sabotar o meu futuro casamento. E nada — absolutamente nada — iria atrapalhar o meu plano de ter Chiara permanentemente ao meu lado.
A noite caiu sobre Milão, trazendo consigo uma névoa fria. Eu tinha uma reunião marcada em um restaurante reservado no subsolo de um hotel de luxo. O motivo: Tomaso Esposito, um dos chefes de família que mantinha alianças frágeis conosco.
Entrei na sala privada e encontrei Tomaso já sentado, rodeado por seus seguranças. Ele era um homem de meia-idade, com um sorriso que sempre me pareceu falso demais.
— Casamento? — repeti, a voz saindo em um tom perigosamente baixo. — Eu não tenho acordo nenhum com você, Esposito. E muito menos com a sua filha.
Tomaso parou de rir, a taça parando a meio caminho da boca.
— Mas Vittorio disse... ele garantiu que você estava de acordo com o fortalecimento da linhagem. Ele deu a palavra dele em nome dos Capone.
— Vittorio não é o Don — respondi, levantando-me lentamente, a aura de poder emanando de mim com tal força que os seguranças de Esposito levaram as mãos às armas por instinto. — Eu sou o Don. O que meu pai prometeu em jantares regados a vinho não tem validade legal ou moral no meu império. Eu já tenho uma noiva. Eu já fiz minha escolha.
— Você vai desonrar um acordo de sangue por causa de uma civil qualquer? — Esposito perguntou, a voz agora carregada de indignação. — Isso é um insulto à minha família, Massimo.
— Chame do que quiser, Tomaso — falei, caminhando em direção à saída. — Mas entenda uma coisa: ninguém decide com quem eu durmo ou com quem eu caso. Se meu pai quer um acordo de casamento, sugira que ele se case com a sua filha ou arrume outro. Eu já estou comprometido. E se você ou ele tentarem forçar essa situação, descobrirão que eu sou muito menos diplomático do que o meu pai costumava ser.
Saí do restaurante sem olhar para trás, sentindo a raiva queimar. Meu pai tinha cruzado a linha final. Ele estava tentando leiloar o meu futuro para satisfazer sua sede de poder antigo. Mas ele estava prestes a descobrir que eu não era um peão no jogo dele. Eu era o rei, e Chiara era a minha rainha. E eu destruiria qualquer um — inclusive o meu próprio sangue — que tentasse nos separar.

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