POV: Massimo
O gelo estalava contra o cristal do meu copo de whisky enquanto eu observava o movimento da pista de dança através do vidro fumê da área VIP. Ao meu lado, Matteo despejava teorias sobre os carregamentos da semana, sobre a recuperação de Adrian, mas minha mente estava em outro lugar. O álcool descia queimando, mas não era o suficiente para apagar a imagem de Chiara que me assombrava há dias. Eu estava em uma abstinência autoimposta, mantendo distância para que ela sentisse o peso da minha ausência, mas a verdade é que o silêncio daquela mansão estava me corroendo por dentro.
Enzo se aproximou com a postura rígida de quem carrega uma notícia que eu não iria gostar. Ele parou ao meu lado, inclinando-se levemente.
— Don Massimo, sua irmã acaba de entrar na boate — informou ele, a voz baixa.
Dei um gole longo no whisky e soltei um suspiro de irritação.
— É normal, Enzo. Sofia sempre inventa de aparecer por aqui, mesmo com as minhas ordens expressas para ficar longe do submundo. Ela acha que as regras não se aplicam a ela porque carrega o meu sangue.
— O problema não é ela estar aqui, senhor — Enzo continuou, hesitando por um segundo. — É que, desta vez, ela não está sozinha.
Franzi o cenho, sentindo uma pontada de alerta no peito.
— Com quem ela está?
— Sofia trouxe Giulia e... Chiara.
Não saberia dizer por quanto tempo fiquei ali, parado como uma estátua de gelo, observando-a. Talvez minutos, talvez horas. Meus olhos não desviavam dos movimentos dos quadris dela, da forma como ela jogava a cabeça para trás, fechando os olhos. O ritmo da dança e Chiara eram um só elemento. Ela se entregava à música com uma paixão que eu nunca tinha testemunhado. A dança fazia parte de quem ela era, uma expressão de liberdade que ela raramente mostrava na mansão.
Senti que um elo invisível surgia entre nós naquele momento, cruzando a distância entre o camarote e a pista de dança. Éramos duas metades de um inteiro distorcido. Ela, uma mulher apaixonada pela vida, vibrante, de apenas vinte e seis anos. E eu, o homem de gelo, o Don que foi ensinado que amar é uma sentença de morte. Unidos pelo destino e por uma atração que beirava a loucura.
Deixei o copo de whisky sobre a mesa, o cristal batendo com força no tampo. Meus pés se moveram antes que eu pudesse processar a decisão. Desci as escadas com a autoridade de um predador. A multidão se abria diante de mim como se soubessem que a morte estava passando.
Ela estava de costas, dançando com Giulia e Sofia. Aproximei-me por trás, o calor do corpo dela já me atingindo antes mesmo do toque. Rodeio sua cintura com firmeza, sentindo a malha do vestido contra a palma das minhas mãos e as costas dela batendo contra o meu peito. Eu a prendi ali, impedindo que ela continuasse a se mover.
— Está se sentindo livre, Bella? — sussurrei em seu ouvido, minha voz rouca sendo abafada pela música para todos, exceto para ela.

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