POV: Massimo
Mais uma sexta-feira havia chegado, mas para homens como eu, o conceito de "fim de semana" era uma ilusão alimentada por civis que batiam ponto e esperavam pelo descanso. Na Tríade Negra, o tempo não parava; ele apenas mudava de ritmo, alternando entre a estratégia silenciosa e a violência explícita. E os últimos dias tinham sido uma loucura total, um mergulho profundo no esgoto que Moretti tentou infiltrar no meu império.
Depois que Enzo terminou a investigação minuciosa sobre a equipe que trabalharia no evento beneficente, as máscaras finalmente caíram. Fizemos descobertas que me deram náuseas, não pela traição em si — já que a traição é a moeda de troca do nosso mundo —, mas pela mediocridade. Descobrimos outros infiltrados, homens que juraram lealdade à minha família, homens que eu protegi e alimentei, e que se venderam por tão pouco. Moretti ofereceu migalhas, e eles aceitaram, entregando informações preciosas por quantias que não pagariam um mês do meu combustível.
A resposta foi, como sempre, proporcional à afronta. Passamos as últimas setenta e duas horas limpando a sujeira. Torturamos quem precisava falar e silenciamos quem já não tinha utilidade. Incendiamos galpões estratégicos de Moretti e reduzimos a cinzas dois locais de distribuição que eram o pulmão financeiro dele. Se aquele bastardo achou, por um segundo sequer, que poderia tocar em um dos meus irmãos e sair impune, ele estava redondamente enganado. Eu não apenas retalhei; eu arranquei pedaços.
Tínhamos acabado de chegar de mais uma missão de "limpeza". O cheiro de pólvora, fumaça e o odor metálico de sangue pareciam ter impregnado nos poros da minha pele. Entramos no galpão principal da Tríade sob o olhar vigilante dos soldados que faziam a guarda. Meus punhos ainda estavam marcados e meu terno, outrora impecável, era agora um descarte de guerra.
Fui direto para a área privativa, entrando no banheiro para tomar um banho e tirar o rastro de morte do meu corpo. A água quente batia nas minhas costas, levando embora a sujeira vermelha que escorria pelo ralo, mas a adrenalina ainda corria como eletricidade nas minhas veias.
Matteo, que estava comigo desde o início da caçada, veio logo atrás, encostando-se no batente da porta enquanto eu me secava. Ele parecia tão exausto quanto eu, mas o brilho selvagem nos seus olhos ainda estava lá.
— Massimo, eu preciso de um drink e de algo que não grite de dor quando eu tocar — Matteo disse, passando a mão pelos cabelos bagunçados. — Esses dias foram pesados. Eu quero ir para uma das suas boates aliviar um pouco desse estresse.
Matteo fez o mesmo em outro compartimento, tomou um banho. Enquanto eu terminava de vestir um terno limpo, preto como a minha alma, Matteo continuou insistindo. Ele estava inquieto, precisando da distração que só o excesso e o pecado podiam oferecer.
— Para qual você quer ir? — perguntei, ajustando o nó da gravata enquanto me olhava no espelho.
— Quero ir para a Velvet Noir — ele respondeu prontamente.
No momento em que ele pronunciou o nome da boate, um sorriso cínico surgiu no meu rosto. Eu sabia exatamente por que ele queria ir para aquela unidade específica. Era a minha boate onde Elettra trabalhava. Elettra era uma das minhas melhores aquisições: uma mulher que conhecia o corpo masculino como se fosse um mapa e que não fazia perguntas.
— Então você está interessado na Elettra? — questionei, arqueando uma sobrancelha.
Matteo soltou uma risada curta, terminando de abotoar a camisa.
— Não diria interessado, pelo menos não no sentido sentimental da palavra. Mas você sabe, ela fode bem, sabe agradar um homem como poucas. Ela tira a tensão de um cara em dez minutos.
Tive que admitir que ele tinha razão. Elettra, por muito tempo, foi a minha válvula de escape. Ela me satisfez em noites de fúria e solidão, sem cobrar nada além de luxo e proteção. Mas, enquanto eu terminava de me arrumar, percebi que o pensamento nela não me despertava absolutamente nada. Era estranho, quase alienígena para mim. Agora era diferente. Só tinha uma mulher que fazia meu sangue ferver e meu pau subir com um simples olhar, e o nome dela era Chiara. Era irritante o quanto ela tinha monopolizado meu desejo, mas era uma realidade que eu não podia mais ignorar.
— Você pode fazer o que quiser com a Elettra, Matteo — falei, pegando meu relógio de ouro sobre a mesa. — Use e abuse. Mas escute bem: você está terminantemente proibido de levar ela, ou qualquer outra puta, para a mansão. Aquela casa é fora dos limites para os seus fetiches.
Matteo parou o que estava fazendo e me olhou com uma expressão de surpresa misturada com deboche.
— Ela é diferente — respondi, sem hesitar. — Ela é a futura Senhora Capone. Ela não é uma qualquer, não é uma diversão passageira. Ela faz parte da estrutura agora, quer ela queira ou não.
Matteo não disse mais nada, apenas assentiu, respeitando o limite que eu acabara de traçar. Chiara estava em uma categoria própria, uma que eu ainda estava tentando definir para mim mesmo, mas que certamente a colocava acima de todas as outras.
Chegamos à Velvet Noir e a música pulsante já podia ser sentida do lado de fora. Os seguranças na porta se retificaram assim que viram o carro. Entramos sem precisar parar, cruzando a pista de dança lotada onde corpos se esfregavam sob luzes neon. Seguimos direto para a área VIP, o setor mais alto da boate, onde o vidro fumê permitia que víssemos tudo sem sermos vistos.
Imediatamente, Cesare, o gerente, se aproximou com a eficiência de quem sabe que o Don não gosta de esperar.
— Don Massimo, Matteo... que prazer recebê-los — ele cumprimentou com uma reverência respeitosa. — Como foram os últimos dias?
— Longos, Cesare. Muito longos — respondi, sentando-me no sofá de couro preto que dominava o camarote.
Conversamos brevemente sobre os números da semana e a segurança da casa. Cesare, percebendo que não estávamos ali para conversas sociais prolongadas, fez um sinal discreto para uma das garotas de serviço.
— Traga a melhor garrafa de whisky e as bebidas favoritas dos senhores — ele ordenou à moça, que nos serviu com mãos ágeis.
Enquanto o copo era preenchido, eu olhei para baixo, para a multidão lá embaixo. Meu corpo estava ali, no meio do álcool e da luxúria, mas minha mente, de forma irritante e persistente, estava na mansão. Eu me perguntava se Chiara estava dormindo ou se ela ainda estava acordada, talvez sentindo a minha falta, ou talvez me odiando pelo silêncio dos últimos dias.

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