POV: Chiara
O tempo parecia ter parado dentro daquela sala de cinema. O que começou com um filme provocante acabou se transformando em uma maratona que nenhuma de nós estava disposta a interromper. Depois de terminarmos o primeiro, a curiosidade — e talvez o clima de confidências que se instalou — nos levou direto para a trilogia de Cinquenta Tons de Cinza. A tela gigante exibia a mansão de Christian Grey, mas eu não conseguia deixar de comparar aquele luxo cinematográfico com a realidade opressiva e, ao mesmo tempo, fascinante da mansão de Massimo.
Estávamos jogadas nas poltronas, cercadas por baldes vazios de pipoca e latas de refrigerante. A iluminação baixa da sala criava um casulo de intimidade onde assuntos que normalmente seriam tabus começaram a fluir com uma naturalidade surpreendente.
— Sabe — Sofia começou, quebrando o silêncio enquanto assistíamos à cena em que Christian apresenta o Quarto Vermelho para Anastasia —, eu acho que o Grey é um amador perto do que alguns homens desse nosso meio realmente são. Ele precisa de contratos e regras para se sentir no controle. No mundo real, o controle é algo que se exerce no olhar, na presença.
Giulia, que estava abraçada a uma almofada, olhou para a tela e depois para Sofia.
— Mas você não acha que essa coisa de submissão tem um certo charme? Digo, na ficção parece romântico ser o centro da obsessão de um homem poderoso. Mas, na vida real, vocês preferem algo assim ou um relacionamento mais convencional? Sabe, aquele tipo de namoro onde se decide junto onde jantar e ninguém dá ordens?
Eu soltei uma risadinha, ajeitando-me na poltrona.
— Acho que depois de entrar nesta casa, a palavra "convencional" foi riscada do meu dicionário, Giulia. O problema do relacionamento convencional é que ele pode se tornar morno rápido demais. Mas essa submissão total da Anastasia... não sei. Eu gosto de ser desafiada. Gosto que o homem tenha pulso, mas não quero ser um tapete.
Sofia deu um gole no seu refrigerante e sorriu de forma enigmática.
— Eu concordo com a Chiara. O convencional é para pessoas que têm medo de profundidade. No nosso mundo, a submissão é uma faca de dois gumes. Mas, mudando um pouco o foco do contrato para a prática... — Ela se inclinou na direção de Giulia, com um brilho travesso nos olhos. — Me digam uma coisa: vocês preferem sexo baunilha ou algo mais selvagem?
Giulia quase engasgou com a própria risada, ficando vermelha instantaneamente.
— Meu Deus, Sofia! Você não tem filtro!
— Filtros são para o I*******m, querida. Aqui estamos entre amigas — Sofia rebateu, rindo. — E então, Chiara? Qual a preferência da futura senhora Capone?
Eu olhei para as duas, sentindo a adrenalina da conversa. O dia tinha sido longo, a tensão com Massimo estava acumulada e eu não estava com vontade de ser recatada.
— Quer saber? Eu prefiro o selvagem. Sem dúvida nenhuma. Ninguém merece um homem "soca fofo", vamos ser sinceras — disparei.
Não acendi as luzes principais, deixando apenas o abajur de canto iluminar o ambiente com um tom âmbar. O cansaço físico era grande, mas minha mente ainda estava acelerada pela conversa e pelas imagens dos filmes.
Fui direto para o banho. Deixei a água quente relaxar meus ombros, lavando o cheiro de pipoca e o peso de um dia inteiro sem notícias concretas. Quando saí, enrolada na toalha, caminhei até o closet imenso. Meus olhos foram direto para o lado dele. As camisas de Massimo estavam perfeitamente alinhadas, exalando aquele perfume amadeirado e caro que parecia estar impregnado em cada fibra daquela casa.
Procurei uma peça específica e puxuei uma de suas camisas brancas de algodão egípcio. Deixei a toalha cair e vesti a camisa. Ela era enorme em mim; a barra chegava até o meio das minhas coxas. Eu estava completamente nua por baixo daquele tecido que pertencia a ele. Era uma forma de senti-lo perto, uma forma de marcar território no espaço dele enquanto ele não estava aqui para fazer o mesmo comigo.
Deitei-me na cama imensa, sentindo o frescor dos lençóis. A primeira coisa que fiz foi pegar o celular na mesa de cabeceira. Desbloqueei a tela com a esperança de ver uma notificação, uma palavra, qualquer sinal de que ele estava bem e pensando em mim, mas não havia nada de Massimo.
No entanto, o pensamento em Massimo — no seu controle, na sua força e na promessa silenciosa do que aconteceria quando ele voltasse — me deixou em um estado de excitação que eu não conseguia ignorar. Eu ainda estava pensativa com os filmes, comparando cada cena à tensão real que existia entre nós, e o desejo por ele se tornou quase insuportável.
Fechei os olhos, sentindo o cheiro dele na camisa e imaginando suas mãos em mim. Massimo não estava ali fisicamente, mas ele dominava meus pensamentos, deixando-me acordada com uma urgência que só ele seria capaz de saciar.
Eu estava pronta para o incêndio, e desta vez, eu mesma acenderia o fósforo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Massimo - A Obsessão do Don